Sempre imaginei na minha pueril ingenuidade que um evento do tamanho e importância de uma Olimpíada fosse o divisor de águas para uma nação. Esta visão, talvez distorcida, foi formada ao longe; haja vista não ter tido – infelizmente, diga-se – a oportunidade de acompanhar “in loco” a realização do grande evento.
Barcelona, em 1992, revitalizou sua zona portuária para, há quem diga torná-la na cidade mais acolhedora e aconchegante da Espanha atual. Em 1996, Atlanta, nos Estados Unidos, mostrou ao mundo o que todos já sabiam: o grande poderio norte americano tanto dentro quanto fora das quadras. Organização impecável, instalações funcionais e, principalmente, tudo construído com dinheiro privado.
Sydney, em 2000, foi a primeira que trouxe a questão da responsabilidade ambiental de forma mais efetiva. O parque esportivo construído num subúrbio tornou-se um bairro residencial e comercial com um fluxo aproximado de 12 mil pessoas. Em 2004, Atenas foi o ponto fora da curva. Em que pese ter aumentado consideravelmente o seu turismo, os dirigentes gregos optaram por erguer grandes estádios que se transformaram em grandes elefantes brancos.
Já mais recente, Pequim em 2008, mostrou uma China moderna, porém populosa e poluída. Esportivamente falando, o país teve um salto considerável nas disputas. A charmosa Londres, em 2012, aproveitou o momento para desenvolver a sua região leste. O local, que era uma antiga região industrial, teve árvores plantadas e terras descontaminadas.
E o que esperar da Rio-2016? Até o momento o prognóstico não é otimista. O custo, originalmente previsto em R$ 39 bilhões será ainda maior, haja vista as contratações emergenciais para reparos a toque de caixa na Vila Olímpica. A prometida despoluição da Baia de Guanabara vai ficar para a próxima... Dentro dos campos e das quadras, o que seria a oportunidade da criação de uma consistente política de incentivo e formação de atletas, não passou de um estabanado e ambicioso projeto de ficar entre os 10 melhores no quadro de medalhas. Por tudo isso, pra mim, Rio-2016 é a Olimpíada que não foi.
Carlos Gimenes é comentarista e autor do Blog do Gimenes
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.