Morreu às 19h15 do dia 3 de agosto, em sua residência, a senhora Maria Antônia Canoas Cervi, aos 80 anos. Acometida por leucemia diagnosticada há dois anos, viveu este tempo realizando exames periódicos que apontavam o agravamento da doença, mas ela não desenvolvia sintomas que a retirassem de suas rotinas. ’Mamãe continuou fazendo tudo o que gostava, seus doces, salgados, suas costuras. Esteve perfeitamente lúcida todo o tempo. Apenas no ultimo mês, mais até em função da idade, permaneceu acamada. Conversamos muito no dia anterior à sua morte. Nada indicava que, no dia seguinte, ficaríamos sem ela’, disse o filho Arnaldo.
Era natural de São José da Bela Vista. Estudou no Colégio Nossa Senhora de Lourdes, onde se formou professora. Ainda jovem, casou-se com o empresário Arnaldo Cervi, diretor, com os irmãos, do Cortume União, fechado em 1981. Do enlace de trinta anos, nasceram dois filhos (o advogado Arnaldo, casado com Eliana Marques; e o químico Wellington, casado com Maria José), e uma neta, Ana Laura.
Casada, foi cuidar da casa e dos filhos que chegavam. Com dotes notáveis para a culinária e para a costura, dedicou-se a produzir salgados, bolos, tortas e roscas com receitas exclusivas das quais só ela conhecia detalhes, e que se tornaram rapidamente conhecidas e procuradas para casamentos, aniversários e eventos de todos os tipos. Passou a ser chamada de ’Tia Tunica’ por sua grande e fiel clientela.
Boa parte dessas receitas, aliás, foram publicadas em vários números do jornal alternativo ’Collection’. Também o jornalista Valdes Rodrigues as divulgou, em algumas oportunidades. A de rosca, porém, distribuída por centenas de pessoas, ninguém conseguiu produzi-la com a mesma consistência da original. Perguntada, ‘Tunica’ apenas sorria...
’Mamãe ainda encontrava tempo para costurar roupas para os filhos e para ela própria. Para ela, o fez até o fim de sua vida. Impressionei-me ao verificar seu guarda-roupa. Contei 28 vestidos e 19 conjuntos de blusas e saias. Lembro-me de tê-la visto costurando um desses vestidos nas semanas anteriores’, disse o filho.
’Nossos pais nos deixaram lições de educação, respeito, dedicação ao trabalho. Mamãe era mais que mãe. Era amiga, sempre disponível para nos ouvir. Sobretudo, aprendemos sobre paciência, com ela. Ela nos dizia que com paciência, todas as respostas aparecem, tudo se resolve. Há lição mais comprometida com o próximo, do que essa?’, concluiu Arnaldo, emocionado.
Velório foi realizado no São Vicente de Paulo. Sepultamento, com serviços da Funerária Nova Franca, ocorreu no dia 4, 16 horas no Cemitério Parque Jardim das Oliveiras. Missa por intenção de sua alma será celebrada dia 9, 19 horas, na Igreja Nossa Senhora das Graças, onde Maria Antônia e Arnaldo Cervi se casaram.
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