Sindicato promete retomar negociações com C. Steffens


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Funcionários da CS protestaram na manhã de ontem. Rua Padre Anchieta precisou ser interditada durante a manifestação
Funcionários da CS protestaram na manhã de ontem. Rua Padre Anchieta precisou ser interditada durante a manifestação
Centenas de funcionários da Carmen Steffens passaram a manhã de ontem protestando em frente à sede do Sindicato dos Sapateiros de Franca, na rua Padre Anchieta, no Centro. A manifestação, que começou às 10 horas, foi acalorada e teve como objetivo cobrar do presidente do Sindicato, Sebastião Ronaldo de Oliveira, que ele voltasse atrás da decisão de não aceitar a proposta da empresa de diminuir a carga horária dos trabalhadores e, consequentemente, os seus salários. Para evitar muitos tumultos, o trecho entre as ruas General Osório e Tomaz Gonzaga, foi interditado.
 
Com cartazes e muita gritaria, os trabalhadores, que tiveram ônibus fretados pela empresa para participar da manifestação, exigiram um posicionamento de Sebastião Ronaldo que, após se reunir com representantes dos funcionários, prometeu retomar as renegociações na próxima segunda-feira. 
 
“Continuamos contrários a precarizar ainda mais as condições dos trabalhos, mas aceitamos, a pedido dos trabalhadores, voltar a negociar e buscar novas propostas da empresa”, disse o presidente.
 
Em alguns momentos, representantes da empresa que ocupam cargos de gerência e administrativo e seguranças do Sindicato discutiram. Após o compromisso de Sebastião Ronaldo em retomar as negociações, a manifestação foi disseminada. 
 
De acordo com o gerente Francisco de Assis Migueletti, que participou de todas as negociações com o Ministério do Trabalho, desde o início o Sindicato tem se mostrado intransigente com as propostas oferecidas. “A empresa não quer demitir ninguém, mas todos sabemos qual a situação atual do nosso país. Como os pedidos diminuíram, buscamos as opções para evitar as demissões. Nas negociações, tentamos muito oferecer o melhor, como os oito meses de estabilidade, mas o Sindicato, desde o primeiro dia, está intransigente. Agora, com a volta das negociações, esperamos chegar em um resultado que seja o melhor para os trabalhadores, que já começaram a ser dispensados”, disse.
 
Pela proposta, os funcionários trabalhariam de segunda a quinta-feira e teriam as quatro sextas-feiras mensais descontadas dos salários. Inicialmente, seriam deduzidos dois dias por mês até dezembro e o restante de janeiro a setembro de 2017. 
 
Com a retomada das negociações, existe a possibilidade de que seja oferecida a opção de não descontar os dias e sim acumular um banco de horas.
 
Primeiras demissões
Depois de quase um mês de negociações, o Sindicato dos Sapateiros divulgou, na última quinta-feira, que não aceitava a proposta da Carmen Steffens. Com a decisão, as primeiras demissões, inicialmente na linha de produção, foram realizadas no mesmo dia.
 
“Fui chamada para assinar o aviso-prévio na quinta-feira à tarde e fiquei muito triste. Preciso do meu salário para ajudar no sustento da minha família, mas sem o acordo, as demissões já começaram. Prefiro que seja descontado um pouco do que ficar sem nada”, desabafou a funcionária Aparecida Helena, que está há quase dois anos na linha de produção e diz ser a favor do acordo.
 
A expectativa é que, se firmado o acordo, todas as demissões sejam canceladas. 
 

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