Redes sociais expõem intolerância no Brasil


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“No Brasil não há racismo” ou “o brasileiro não é intolerante” são duas frases que nos acostumamos a ouvir, como se vivêssemos em um paraíso onde as diferenças não são observadas de forma negativa. Principalmente em razão da formação de nossa Nação, que recebeu ao longo de sua história indivíduos de todo o mundo, desde o descobrimento, quando os portugueses descobridores conviveram com os índios nativos. Depois, vieram os escravos africanos e, na sequência, italianos e japoneses, os maiores grupos que transformaram o Brasil em uma verdadeira sopa cultural. Ainda há cidadãos de outras partes do mundo, que transformaram nosso País em uma nação única, onde não se pode dizer que existem brasileiros ‘puros’. A miscigenação não permite isso. Até mesmo o presidente em exercício, Michel Temer (PMDB), é descendente de libaneses que se fixaram por aqui. 
 
Mas, ao contrário do que se prega, porém, a internet vem ajudando a derrubar esse mito de que nós brasileiros somos tolerantes às diferenças. Um estudo realizado entre os meses de abril e junho pelo Comunica Que Muda, plataforma digital da agência nova/sb, monitorou a internet e encontrou dez tipos principais de intolerâncias. No total, foram analisadas 393.284 menções feitas por internautas de todo o País no Facebook, Twitter e Instagram e também em páginas de blogs e comentários de sites da internet. Expressões como “cabelo ruim”, “gordo”, “vagabundo”, “retardado mental”, “boiola”, “golpista”, “velho” e “nega” predominam e revelam todo tipo de intransigência ao outro, em relação à aparência, classes sociais, deficiências, homofobia, misoginia, política, idade, raça, religião e xenofobia.
 
Dados da ONG Safernet mostram que denúncias contra páginas que divulgaram conteúdo do tipo cresceram mais de 200% no país. No primeiro momento, parece que a internet criou uma onda de intolerância. Mas o fato é que as redes sociais apenas evidenciaram discursos existentes no nosso dia a dia. No fundo, as pessoas são as mesmas, nas ruas e nas redes. Só para comparar: o Brasil lidera as estatísticas de mortes na comunidade LGBT (dado da Associação Internacional de Gays e Lésbicas); mata muito mais negros do que brancos (Mapa da Violência); aparece em quinto em homicídios de mulheres (Mapa da Violência); registrou aumento de 633% nos casos de xenofobia (Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos); e 6,2% dos seus empregadores confessam não contratar pessoas obesas (sites de recrutamento). Neste ponto também precisaremos mudar, e muito, para que o Brasil seja uma Nação não apenas inclusiva, mas também justa e igualitária.
 
 
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