O COI (Comitê Olímpico Internacional) aprovou nesta quarta-feira (3) a inclusão de cinco novas modalidades para a próxima edição dos Jogos Olímpicos. Surfe, skate, caratê, beisebol/softbol e escalada farão parte da programação de Tóquio-2020.
A decisão foi tomada por membros do comitê e anunciada em congresso realizado em um hotel na Barra da Tijuca, no Rio.
O conselho executivo da entidade havia aprovado em junho a proposta feita pelo comitê organizador dos Jogos de 2020 de adicionar esses cinco esportes.
As modalidades foram escolhidas na fase final da seleção, em junho. Oito esportes estavam no páreo, mas boliche, squash e wushu (arte marcial) ficaram fora.
Para o atual campeão mundial de surfe, Adriano de Souza, o Mineirinho, a decisão pode ajudar o Brasil a se tornar uma grande potência na modalidade.
"Eu acredito que o esporte, depois do título do Gabriel [Medina], teve um boom muito grande no país. Logo em seguida, com o meu [título], ajudou a consolidar mais ainda", disse por email, da Indonésia, onde está surfando.
"Acredito que, com o esporte entrando no ciclo olímpico, poderemos ver uma organização melhor entre confederações e federações. Se fizerem tudo certinho, seremos uma superpotência do surfe mundialmente."
CARETICE
Hexacampeão mundial, o skatista Sandro Dias, também conhecido como Mineirinho, esperava a decisão ansiosamente, já que fez parte do comitê que pleiteava a aprovação do skate como esporte olímpico por quase dez anos.
"A gente queria que fosse aprovado a tempo da Rio-2016, pela força do skate no Brasil. Infelizmente, não deu certo, mas a campanha se fortaleceu."
Mineirinho conta que alguns skatistas eram contra a entrada do esporte nos Jogos Olímpicos.
"Eles acham que o skate é um estilo de vida, e não um esporte olímpico. Acham que Olimpíada é caretice."
O técnico da seleção brasileira de caratê, Ricardo Aguiar, também aguardava havia tempos a decisão do COI. "Agora está caindo a ficha. Estávamos apreensivos."
Para ele, o caratê brasileiro passa por seu melhor momento no cenário internacional. "Iniciamos um trabalho há quatro anos. Hoje, somos sextos no ranking mundial."
Com esses acréscimos, a Olimpíada de 2020 deverá ter mais 18 eventos, considerando as diferentes categorias dessas modalidades.
O skate, por exemplo, terá duas categorias (street e park), tanto no masculino quanto no feminino. O beisebol será disputado apenas no masculino, enquanto o softbol, no feminino.
O caratê deve ser dividido em duas categorias: kata e kumite (essa última com três classes de peso). Só essa modalidade teria oito disputas por medalhas.
Segundo a Associação Brasileira de Escalada Esportiva, a modalidade possui um apelo lúdico e não tem muito incentivo no Brasil. A maioria atua de forma amadora.
"Agora que a escalada virou esporte olímpico, a gente espera que, com incentivo e estrutura, aumente não só o número de participantes do esporte, mas o nível também", diz Janine Cardoso, presidente da associação.
Para o presidente da CBBS (Confederação Brasileira de beisebol e softbol), Jorge Otsuka, essa é a chance de o beisebol e o softbol brasileiros reencontrarem o país de onde herdaram a prática, já que esses esportes foram introduzidos no Brasil pela colônia japonesa.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.