Atualmente, a sociedade, e com muita razão, combate e condena com veemência a prática do bullying que tantas sequelas deixam nas pessoas.
São incontáveis os relatos de vítimas que sofreram provações ainda na infância, e que os fez adultos infelizes, inseguros e tomados por traumas emocionais.
Segundo especialistas, manifesta-se de várias formas: em razão da cor da pele, do muito ou do pouco peso, por ter nome diferente, ser de origem humilde, ter pouca inteligência, ser portador de deficiência física etc.
Evidente que todos os que sofrem devem lutar para superar esses traumas. Infelizmente, não é simples e não é fácil. Nem sempre todos consegue. O amigo Luís Carlos Verzola contou-me um caso passado por certo comerciante, cujo nome era Máximo. Como já se pode perceber, seu próprio nome foi a motivação do bullying.
Consta que Máximo, na infância, sofreu com gozações dos colegas em razão do nome pomposo e considerado arrogante por alguns.
Assim, apresentou dificuldades nos estudos e repetidas vezes foi reprovado. Em razão disso, colegas insistiram em chamá-lo de ‘Mínimo’, o que lhe desagradava muito.
Lutou e acabou se tornando próspero comerciante. Conservou no entanto as sequelas do bullying sofrido na infância.
Certo dia, já doente terminal, pediu à esposa que quando ele morresse, não fizesse constar no epitáfio, o seu nome. Podia escrever o que quisesse, menos o nome.
Ao falecer, os familiares cumpriram o que ele desejava, não consignando no epitáfio, seu nome. Colocaram apenas: ‘Aqui jaz um homem correto, puro de coração, filho exemplar, marido leal e amoroso, pai dedicado, amigo certo da hora incerta, próspero comerciante, honesto e cumpridor dos seus deveres’.
Infelizmente para ele, as pessoas que passam defronte ao túmulo, ao lerem esse epitáfio, exclamam, ainda que intimamente: ‘esse homem deve ter sido o máximo’.
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca.
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