Fiquei de férias duas semanas. Tempo suficiente para que o cenário político em Franca entrasse em ebulição. Mesmo à distância, acompanhei todos os movimentos nos bastidores do poder. O fato mais relevante do período foi a absolvição de Alexandre Ferreira (PSDB) por um voto na sessão de julgamento ocorrida na Câmara. A poucos dias da abertura da campanha eleitoral, seis vereadores colocaram a reeleição em risco ao salvarem a pele do prefeito.
A polêmica votação me fez recordar passagem marcante. O ano era 2002, novembro. Após confusão, briga na Justiça, acusação de compra de votos e reviravolta de última hora, a Câmara autorizava o então prefeito Gilmar Dominici (PT) a aumentar o IPTU. Franca tinha 21 vereadores. Um deles amanheceu jurando no rádio que votava contra. Horas depois, sabe-se lá por quê, disse sim. O reajuste do imposto foi aprovado por 14 vereadores. Foram considerados como “traidores” e tiveram suas fotos espalhadas em panfletos.
Mesmo faltando quase dois anos para as próximas eleições, se queimaram com os eleitores. No pleito de 2004, apenas dois deles — Gilson Pelizaro e Nirley de Souza — conseguiram a reeleição. Os demais, inclusive Laercinho, que agora articulou o perdão a Alexandre, foram punidos pelas urnas.
Quatorze anos depois, a absolvição do prefeito tem potencial para provocar mais estragos do que o aumento do IPTU, pois inocentes, como Luara Prieto, morreram vítimas da irresponsabilidade do poder público. No lugar dos panfletos, as redes sociais se encarregam de maximizar a divulgação daqueles que ficaram contra o povo: Vergara, Cordeiro, Claudinei da Rocha, Bahia, Donizete da Farmácia e Laercinho. O grupo dos seis vai ter que se virar para explicar aos eleitores que é coisa normal pagar mais de R$ 22 milhões para um instituto que trouxe pelo menos nove médicos falsos para atender no PS.
INFIDELIDADE: O TRE notificou a Câmara sobre o julgamento que cassou o mandato da vereadora Valéria Marson (PSD) por infidelidade partidária. O presidente tem prazo de dez dias para empossar o suplente do PSDB, Romeu Bartolomeu, o que deve ocorrer na próxima semana, caso Valéria não derrube a decisão no TSE.
ESPÍRITO OLÍMPICO: Saber perder é virtude nobre. Saber ganhar, mais sublime ainda. No dicionário de Alexandre Ferreira, não há espaço para fidalguia, delicadeza, elevação moral. Atacar vereadores após escapar da degola por apenas um votinho foi grosseria ímpar. Burrice também. O prefeito se esquece que precisa de votos para aprovar contas e evitar novo processo de cassação.
O ÚLTIMO APAGUE A LUZ: O jornalista Marcelo Facuri pediu exoneração do cargo de assessor de Comunicação da Prefeitura, onde estava desde 2005. Abandonou Alexandre para cuidar do marketing da campanha de Sidnei Rocha à Prefeitura. No começo de maio, já havia colocado o cargo à disposição após o prefeito cobrá-lo pela derrota nas prévias. Alexandre não aceitou. Facuri coordenou a comunicação das três últimas campanhas do PSDB em Franca. Venceu todas.
PEDÁGIO: A Justiça julgou improcedente ação de indenização por danos morais movida pelo deputado federal Duarte Nogueira (PSDB) contra o presidente da Câmara de Franca, Marco Garcia (PPS). O tucano reclamava de ter sido chamado de “safado” durante protestos contra a instalação de pedágios que pararam a rodovia Cândido Portinari, em fevereiro. Nogueira era secretário estadual dos Transportes.
ANOTE AÍ: Não será surpresa se João Rocha (PDT) sair de vice de Flávia Lancha (PMDB). Ou se Flávia for a vice de João.
Edson Arantes
jornalista - edson@comerciodafranca.com.br
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