O direito à vida e à convivência familiar. O direito à educação, ao lazer, ao brincar. O direito ao cuidado. O direito de estar a salvo de qualquer tipo de discriminação e violência. Todos esses direitos são considerados essenciais e resguardados por lei. Mas na prática às vezes não acontece como previsto. E isso não só no Brasil. Em muitos outros países há crianças sofrendo pela falta de educação, de família, de brinquedos, de afetos. Milhares ainda sofrem com violência e indiferença. A Fundação Promenino, mantida pela Telefônica, pesquisou e chegou a uma seleção de 10 livros infantis que abordam esses temas de forma bonita. Estamos reproduzindo aqui no Clubinho a lista para que crianças brasileiras enriqueçam seu mundo e sua existência, conhecendo melhor a si mesmas, outras crianças e diferentes sociedades humanas. Boa leitura!
Acompanhando meu pincel
Dulari Devi, com texto de Gita Wolf (Martins Fontes, 2014)
Esta é a história da indiana Dulari Devi, que se tornou uma artista. Nascida em uma família pobre, ela precisou trabalhar na infância, ajudando a mãe na plantação de arroz, cuidando dos irmãos mais novos, fazendo trabalhos domésticos. O que mais gostava de fazer, no entanto, era ver as outras crianças brincarem. Sem nunca ter ido à escola, Dulari não aprendeu a ler ou escrever, mas a vontade de “produzir alguma coisa bonita” a levou a descobrir sua vocação na pintura. Ela desenvolveu uma técnica que agora usa para retratar lindamente as cenas mais marcantes da sua infância.
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É tudo família!
Alexandra Maxeiner e Anke Kuhl (L&PM Editores, 2013)
Como um almoço de domingo, em que sempre cabe mais um, este livro procura mostrar a diversidade das formações familiares em nossos dias. Em forma de quadrinhos, apresenta famílias com filhos únicos ou numerosos, com pais separados que podem se dar bem ou não, com padrastos ou madrastas, com pais homossexuais, com viúvos, com crianças criadas pelos avós, com pais adotivos. Tem também as crianças que vivem em orfanato. Além dos diferentes tipos de famílias, o livro revela sentimentos como raiva, tristeza e amor, que às vezes aparecem misturados.
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Um outro país para Azzi
Sarah Garland (Pulo do Gato, 2012)
A partir do olhar da menina Azzi, este livro retrata uma família do Oriente Médio, que se vê obrigada a fugir quando a guerra começa a afetar sua rotina. “Às vezes, o barulho das metralhadoras nos helicópteros era tão alto que as galinhas ficavam assustadas e paravam de botar ovos”, conta a protagonista nessa narrativa ilustrada. Apesar de dificuldades como fome, frio sede e saudade, Azzi encara a situação como uma aventura e acaba descobrindo sentimentos que não conhecia, como a solidariedade e a esperança.
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Mandela: o africano de todas as cores
Alain Serres e Zaü (Pequena Zahar, 2013)
Quando criança, ele gostava de pastorear carneiros, cortar galhos para arremessar bastão. Brincava com os cabelos brancos do pai e bebia leite recém-tirado das vacas. Um pouco mais velho, participava das conversas dos adultos sobre os rumos da aldeia e queria estudar para não ter de trabalhar nas minas de ouro como os outros homens. Organizado em ordem cronológica, este livro apresenta a biografia de Rolihlahla, mais conhecido como Nelson Mandela, que passou quase 30 anos na prisão, até se tornar um dos maiores símbolos de resistência, coragem e paz para a humanidade.
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Martin e Rosa
Raphaële Frier e Zaü (Pequena Zahar, 2014)
Os ônibus só passavam em frente às casas das pessoas brancas, e negros só podiam se sentar no fundo, isso se nenhum branco quisesse o seu lugar. Restaurantes, banheiros públicos, elevadores e guichês tinham divisões de raças identificadas por tabuletas. Casais homossexuais também eram proibidos em qualquer lugar. Muitos já ouviram falar sobre discriminação racial nos Estados Unidos, mas poucos têm memória do quanto ela foi cruel aos negros no Sul daquele país. O livro conta como Rosa Parks e Martin Luther King lutaram pelos direitos civis e pela igualdade entre negros e brancos.
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O nascimento de Celestine
Gabrielle Vincent (Editora 34, 2014)
Esta é uma história sobre o afeto e a amizade, que começa no dia em que o solitário urso Ernest encontra a ratinha Celestine abandonada em uma lata de lixo. A partir daí , vão aparecendo os preconceitos que enfrenta para ficar com ela e os cuidados que dedica ‘ao bebê’ nos momentos mais difíceis. O livro traz a assinatura da importante artista belga Gabrielle Vincent (1928-2000) que, com poucas palavras e finos traços mostra porque esses personagens conquistaram leitores no mundo inteiro.
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Eloísa e os bichos
Jairo Buitrago e ilustrações de Rafael Yockteng (Pulo do Gato, 2013)
“Eu não sou daqui. Chegamos numa tarde, quando eu era bem pequena.” Assim começa o relato da personagem principal, a menina que chega à nova cidade com seu pai, em busca de vida melhor, talvez até fugindo de um passado doloroso. Nesse cenário, tudo o que ela encontra é um mundo estranho, onde as coisas obedecem a regras diferentes. O relato fala de maneira delicada sobre deslocamento no espaço, respeito à diversidade e intolerância. Escrito com frases curtas, tem uma carga emotiva muito grande.
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O mundo no Black Power de Tayó
Kiusam de Oliveira e ilustração de Taisa Borges (Peirópolis, 2013)
Uma menina de 6 anos, além de brincar e adorar bichos, tem orgulho da sua pele e dos seus olhos negros. Apesar do preconceito das outras crianças, faz questão de enfeitar seu cabelo black power de forma bastante criativa e com cores fortes. Seu nome, Tayó, originário do idioma africano iorubá, significa “da alegria” e espelha o jeito como ela se relaciona com as pessoas a sua volta e com sua cultura. A história valoriza as raízes culturais brasileiras, muito importantes na formação do nosso povo.
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A história de Júlia e sua sombra de menino
Christian Bruel e Anne Galland, com ilustrações de Anne Bozellec (Scipione, 2010)
“Você sempre tem que fazer tudo tão diferente?”, interroga a mãe. Ao que a filha responde: “Eu não sou como todo mundo, mamãe. Eu sou a Júlia!” O título do livro, somado a este diálogo em família, já dá uma ideia dos rumos desta história. Pressionada pelo olhar vigilante dos pais, que não ‘entendem’ o seu comportamento, um dia Júlia acorda e se percebe com uma sombra de menino. Por aí segue a narrativa, que fala de aceitação, busca da identidade.
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A diaba e sua filha
Marie NDiaye, com ilustrações de Nadja Fejtö (CosacNaify, 2011)
Todos os dias, ao anoitecer, uma diaba de pele escura, olhos brilhantes e roupas muito limpas sai pelas ruas da cidade, batendo de porta em porta, em busca de sua filha perdida. Prestes a ajudá-la, as pessoas voltam atrás quando reparam que ela tem cascos negros no lugar dos pés. Imediatamente a expulsam de suas casas, apagando as luzes até que se afaste. Ao narrar esse conto de mistério, a autora coloca o bem e o mal, a humanidade e os demônios, nós e os outros na mesma página. Ela convida o leitor a pensar que temos tendência a “diabolizar” os que são diferentes de nós.
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