A eleição do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) é o maior ponto fora da curva na história política francana. Ele só conseguiu o mandato por causa de seu antecessor, Sidnei Rocha (PSDB), que garantiu tê-lo bem preparado para sucedê-lo. Porém, meses depois de tomar posse, colocou óculos cor de rosa, edulcorando a vida da cidade, e passou a flertar com a ilegalidade. Primeiro, ao fechar um acordo a portas fechadas, na surdina, com a Empresa São José, perdoando multas que a empresa teria que pagar por não cumprir termos do contrato fechado ainda na administração de Sidnei Rocha, além de abrir mão de obrigações que a permissionária do transporte coletivo havia assumido, impedindo a cobrança de novas multas.
Depois, ocorreu a descoberta da ‘indústria de horas extras’ nas unidades de saúde do município (esquema iniciado quando ele dirigia a secretaria de Saúde), o que vem sendo investigado pelo TRT-SP (Tribunal Regional do Trabalho). Notabilizou-se em tentar manter auxiliares condenados por improbidade administrativa (só não o fez por causa da ameaça de prisão), participou de um esquema ilegal de concessão de licenças ambientais que desembocou um processo aberto pelo MP (Ministério Público) e, além de outras peripécias (como o caso de desvio na construção de creches), segundo o MP em outro processo, criou uma situação de emergência no setor de saúde pública do município que permitiu a contratação do ICV (Instituto Ciência da Vida) que trouxe uma quadrilha de falsos médicos para atender nos dois Prontos-socorros da cidade. Mesmo diante das denúncias (e prisão de alguns deles na região de Sorocaba), manteve o instituto, negando inclusive, a ligação com o atendimento médico de quase uma dezena de mortes suspeitas. Além disso, fichas de atendimento foram adulteradas, permitindo que alguns dos médicos recebessem por horas extras volumosas e não cumpridas.
Nada disso foi capaz de fazê-lo ser responsabilizado pela Câmara dos Vereadores. Escapou recentemente de uma Comissão Processante e pode ser objeto de outra, desta vez por quebra de decoro, já que, na última sexta-feira, resolveu discursar durante uma cerimônia e, em plena Câmara Municipal, chamou os vereadores de ‘desonestos e sem-vergonhas’. Não poupou nem aqueles que pouparam seu mandato. O destempero verbal do prefeito (que em tamanho rivaliza com a sua incapacidade administrativa) chocou os integrantes da Câmara. Há vereadores que até manifestaram desejo de apresentar um novo pedido de processo para cassar Alexandre. Uma moção de repúdio à fala do prefeito, com mais de 10 assinaturas de vereadores, ilustra bem o quanto ficaram descontentes com a postura de Alexandre. Como se vê, ele não terá vida fácil nos últimos meses de seu mandato.
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