A Secretaria Municipal de Ação Social e a Guarda Civil de Franca, por meio do programa Busca Ativa, realizaram ontem uma operação que retirou de locais públicos abrigos instalados irregularmente por moradores de rua. De acordo com a Prefeitura, trata-se de uma ação periódica que abrangeu a praça dos Angicos; o pontilhão que liga os bairros Recanto Elimar e Jardim Aeroporto II; uma APP (Área de Preservação Permanente) no Jardim Brasilândia; a avenida William Azzuz e a rua Luís Pires, no Jardim Redentor.
“Nesses locais, foram removidos barracos, colchões e outros materiais onde as pessoas estavam aglomeradas”, afirmou, por meio de nota, a Prefeitura. Ainda de acordo com a nota e com a Guarda Municipal, foi oferecido acolhimento aos moradores de rua no Centro Pop, para que uma triagem e atendimento complementar fossem feitos, mas ninguém teria aceitado a oferta.
“Oferecemos ajuda aos mesmos, mas alguns foram agressivos”, disse o guarda Júlio César Tiradentes. “Todos têm o direito de ir e vir, mas não de se alojar em área pública.”
Um dos moradores de rua abordado foi Reginaldo de Souza, que há oito anos vive sem teto e se abrigava em um barraco na Praça dos Angicos. À reportagem, ele expôs seu motivo de não ter aceitado a ajuda oferecida pelo Busca Ativa.
“Vou ficar aqui. Vamos pra onde, moça? Falam pra ir pro abrigo, mas lá você pode passar três, quatro dias. Adianta o quê?”, questionou.
Em um vídeo disponível no Portal GCN (www.gcn.net.br), o momento em que os agentes municipais realizam a remoção de seu barraco foi registrado.
“Eu estava dormindo, quando eles chegaram. Eram 8 horas. Já ia me levantar para correr atrás dos meus ‘biquinhos’: capinar uma horta, juntar reciclável, ajudar em mudança... O que aparecesse”, disse desconsolado, apoiado por amigos e três de seus cinco cães.
De acordo com Reginaldo, ele trabalhava com solados em fábricas de sapato até oito anos atrás. Vindo do Paraná e sem família em Franca, viu-se em situação complicada ao sofrer um grave acidente de trânsito e não poder trabalhar. “Estava tudo certo, até que o INSS cortou o meu benefício. Procurei advogado, mas não deu nada e eu acabei vindo pra rua”, afirmou.
“Fico triste, porque sempre trabalhei. E o tanto que eu já paguei pro ‘INPS’? E todas as minhas horas extras? E os sábados e domingos que eu trabalhei? Não adiantaram nada.” Há 15 anos em Franca, Reginaldo afirma não ter mais contato com sua família no Paraná e que continuará na praça dos Angicos.
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