Cinco dias depois de se livrar do processo de cassação, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) pode novamente ser alvo de uma Comissão Processante. Desta vez, é possível acontecer uma denúncia por quebra de decoro, já que o prefeito, na última sexta-feira, resolveu discursar durante uma cerimônia e, em plena Câmara Municipal, chamou os vereadores de “desonestos e sem-vergonhas”.
Apesar de não poder propor a abertura de uma CP contra o prefeito, por ser o presidente da Câmara, o vereador Marco Garcia (PPS) afirmou que é a favor de um novo processo contra Alexandre, por conta das ofensas da última sexta. “Na quinta-feira, ele tinha 120 minutos para se defender e sequer compareceu (à sessão de julgamento do processo de sua cassação, instaurado após denúncias de irregularidades na Saúde, decorrentes do contrato com o ICV, como a contratação de falsos médicos e supersalários). Na sexta, resolveu ir à Câmara e falou tudo aquilo. Curioso que criticou até mesmo os seis (vereadores) que o defenderam. É um ingrato”, disse Garcia, que enfatizou: “Se algum cidadão ou vereador representar, não hesitarei em autorizar a abertura da Comissão. Tomaremos providências para que seja punido. Diante de tudo que aconteceu, sinto vergonha de ter defendido o Alexandre antes e ter sido seu líder na Câmara”.
Além de críticas a vereadores que “viajam para cima e para baixo para aumentar o salário”, Alexandre ainda teve o pastor Otávio Pinheiro (PTB) como alvo indireto de sua fúria na sexta-feira. “Político sem-vergonha que vem aqui falar de Deus, falar de Bíblia e, na hora do vamos ver, mente e arruma desculpa”, discursou o prefeito, que receberá retorno, garantiu o vereador.
Ontem, ele procurou o Setor Jurídico da Câmara para se informar sobre a possibilidade de uma nova Comissão Processante contra o prefeito e as medidas adequadas. “Não aceitarei isso de forma passiva, ainda mais vindo do Alexandre, uma pessoa descontrolada e rejeitada, não apenas por seu partido, como também por seus servidores comissionados, vereadores, governador e pela população. Por essa razão, a Comissão é uma opção e eu mesmo posso fazer este requerimento”, garantiu o vereador.
O pedido de abertura da CP deve dominar a pauta da primeira parte da sessão ordinária da Câmara, na manhã desta terça-feira.
O discurso
“Gente medrosa, desonesta, que não aguenta pressão, que não tem que estar na política.” Esse foi um dos diversos ataques feitos por Alexandre Ferreira contra os vereadores na sexta-feira da semana passada, durante a sessão solene em comemoração ao Dia do Agricultor, na Câmara Municipal.
Alexandre atacava os nove vereadores que votaram contra ele, um a menos que o necessário para sua cassação. Ele se livrou com o voto de seis parlamentares. Após os ataques, mesmo com o vereador Laercinho (PMDB), que presidia a sessão de homenagem, tentando impedir, Nirley de Souza (PP) tomou a palavra e rebateu o prefeito. “Nós, como vereadores, temos que fazer o nosso papel: não podemos nos omitir ao que foi apurado. Não sou sem-vergonha, graças a Deus. Sou uma pessoa digna”, retrucou.
O vereador prosseguiu e afirmou que estava fazendo seu trabalho ao votar a favor da cassação do mandato de Alexandre, na última quinta-feira. “A vida é longa, tem muita coisa pela frente, viu? Você não pode ser assim. Você é uma pessoa muito nova ainda, você tem muita coisa pela frente.”
Sobre seu silêncio diante do discurso de Alexandre, o Pastor Otávio Pinheiro afirmou que, diferente do prefeito, não quis ser deselegante. “Estávamos em uma solenidade. O que ele fez não tem cabimento e, certamente, não ficará impune”, garantiu.
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