Anos atrás, o crime organizado vinha ganhando terreno no Estado de São Paulo à custa de uma série de ações de sequestro bem sucedidas. O dinheiro dos resgates alimentava o caixa de organizações criminosas como o PCC (Primeiro Comando da Capital), ainda hoje a principal das que atuam no território paulista por causa do que realizou quase 20 anos atrás. Até grupos estrangeiros se formavam para conseguir grandes quantias de dinheiro de forma relativamente fácil, já que o índice de sucesso da polícia paulista ficava abaixo do registrado em outros países. Quem não se lembra do rapto do então maior publicitário do País, Washington Olivetto, e do empresário Abílio Diniz, em 2002 e 1989, ambos desbaratados? Estas ações foram realizadas por grupos guerrilheiros. Mas até os primeiros anos deste século, uma série de outros sequestros ocorriam. O Estado chegou a ter 10 reféns presos simultaneamente. Só com a criação do GAS (Grupo Anti Sequestro) é que o aparato de segurança de SP começou a ganhar esta guerra.
Com a libertação da sogra do todo poderoso da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, no domingo, mais um sequestro realizado no território paulista foi elucidado e seus realizadores presos, mostrando o acerto da criação do grupo. Não há, hoje, qualquer sequestrado em poder do crime, praticamente desbaratando todos os grupos que ainda se arriscam por este caminho. O governo do Estado deveria, hoje, tentar a criação de outro grupo para o combate às quadrilhas especializadas em explodir caixas eletrônicos de bancos em cidades grandes ou pequenas. Até hoje, a maioria destas ações — que chegaram a causar o fechamento de agências bancárias em cidades pequenas — passaram impunes, já que a polícia não consegue acompanhar os avanços tecnológicos que servem aos bandidos mas não às forças de segurança.
A vitória do GAS veio através de minucioso trabalho de investigação, atenção a detalhes e, principalmente, por causa de denúncias que são exaustivamente apuradas. Sem uma força tarefa dedicada apenas ao trabalho de investigação dos ataques a bancos e caixas eletrônicos será difícil que a Segurança Pública consiga fazer frente ao crime organizado que hoje atua em várias frentes no nosso Estado, utilizando de ações criminosas para conseguir financiar a sua existência. Só bloquear celulares nos presídios ou afastar os cabeças do PCC, colocando-os em diferentes unidades prisionais, não é suficiente. Esta guerra só será vencida quando houver uma certa igualdade entre a polícia e os criminosos, não apenas com armas capazes de fazer frente às das quadrilhas, além de um setor de inteligência tão eficaz como o utilizado contra grupos especializados em sequestro.
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