Grupo de sem-terra ocupa fazenda em Restinga


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Representantes de 150 famílias da FNL (Frente Nacional de Luta), de São Paulo e Minas Gerais, ocuparam fazenda em Restinga para chamar atenção para propriedades do empresário Fábio Meirelles
Representantes de 150 famílias da FNL (Frente Nacional de Luta), de São Paulo e Minas Gerais, ocuparam fazenda em Restinga para chamar atenção para propriedades do empresário Fábio Meirelles
Integrantes da FNL (Frente Nacional de Luta) ocuparam uma fazenda na rodovia Nestor Ferreira, entre Franca e Restinga, na madrugada do último sábado. Representantes de 150 famílias, vindas de Araraquara, Barretos, Colômbia e Ribeirão Preto, afirmam que o movimento pretende chamar a atenção para a necessidade da reforma agrária e de proprietários de outras áreas. O grupo invadiu uma propriedade em frente uma fazenda do empresário Fábio de Salles Meirelles. De acordo com os ocupantes, relatórios do Ministério do Desenvolvimento Agrário apontam quatro propriedades de Meirelles como improdutivas. E são nelas que a FNL está de olho.
 
“Decidimos ocupar essa área para chamar atenção para a nossa causa. Somente na região, quatro propriedades, sendo duas em Restinga e duas em Cristais Paulista, estão cadastradas como improdutivas e, na verdade, estão sendo utilizadas para a produção de cana-de-açúcar, café, entre outras coisas, ou seja, os proprietários não estão pagando o valor correto. Queremos que o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) tome conhecimento disso e, temos esperança, que aconteça a desapropriação e possamos nos estabelecer”, disse o líder do acampamento, Paulo Ricardo Rodriguez Pereira, 39, que há 17 anos, junto com a mulher e seus 11 filhos, luta pela causa. 
 
A fazenda ocupada, de acordo com os sem-terra, foi escolhida por ficar exatamente em frente a uma das propriedades que são reivindicadas por eles. “Queremos apenas chamar a atenção para a causa e as irregularidades que existem nessas propriedades que falamos”, completou Pereira.
 
Em condições precárias, sem energia ou água, mulheres, homens e crianças se instalaram em barracas improvisadas na fazenda Niagara. Segundo eles, alimentos são conseguidos com a realização de pequenos serviços realizados na cidade. 
 
“Estamos todos em busca de melhores condições de vida e contra a desigualdade. Tudo o que queremos é um futuro melhor”, disse o trabalhador rural Francisco Costa, de 51 anos. De Barretos, sua cidade natal, ele, que está no movimento há 20 anos, já passou por Colina, Pitangueiras, além das mineiras Campo Florido e Comendador Gomes. O maior tempo que passou em um acampamento foram seis anos. 
 
“O desemprego é grande e as dificuldades para conseguir uma vida digna são enormes. Estamos em busca de um futuro melhor e, assim que conseguirmos um pedaço de terra, vamos nos estabilizar e viver da terra, com o plantio de hortaliças”, disse o francano Ilson de Oliveira, 51, que está há oito anos na FNL, junto da mulher e seus dois filhos. 
 
Outro lado
Assim que souberam da invasão, os proprietários da fazenda, que afirmam que o local não está improdutivo, e seria utilizado para o plantio de café, eucalipto, além da criação de gado, registraram um boletim de ocorrência.
 
“Hoje (ontem) já entramos com um pedido de reintegração de posse para garantir nossos direitos. A fazenda não é improdutiva e, agora, aguardamos a Justiça para tomar as medidas necessárias”, disse o primo da dona da área, Maurício Torres Penedo. 
 
A reportagem tentou contato com o empresário Fábio Meirelles, proprietário das terras que são reivindicadas pela FNL, mas, segundo a assessoria de imprensa do Senar (Serviço de Aprendizagem Rural), entidade que Meirelles preside, ele estaria no interior sem um telefone para contato.
 
 

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