O eleitor não é tão bobo assim


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Logo após o anúncio de que o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) só não perdeu o mandato por apenas um voto, as redes sociais passaram a registrar o descontentamento do francano, que esperava que a decisão de quinta-feira acompanhasse o placar que permitiu a abertura da CP (Comissão Processante), com 12 votos pela cassação. Porém, apenas nove vereadores votaram pelo afastamento do prefeito, um a menos do que o necessário. O francano — que já avaliou negativamente a administração do prefeito tucano, que não conta com o apoio nem do próprio partido, que decidiu lançar a candidatura do ex-prefeito Sidnei Rocha — recebeu o resultado com certa revolta, já cansado de ver-se relegado a segundo plano pelos representantes que elegeu.
 
Porém, o fiel da balança que permitiu a Alexandre Ferreira completar o seu mandato foi a decisão dos vereadores do PSB, Claudinei da Rocha (PSB), Luís Cordeiro (PSB) e Luiz Vergara (PSB), os quais se juntaram a Josivaldo Bahia (PTN), Laercinho do Paiolzinho (PMDB) e Donizete da Farmácia (PSDB) para manter o mandato do prefeito. De Vergara não se esperava nada diferente, uma vez que até há pouco tempo ele era líder do prefeito na Câmara, fato surpreendente para quem até então fazia acirrada oposição a Alexandre. Mas Claudinei e Cordeiro entraram na onda e votaram com Vergara. Informações davam conta de que a decisão só foi possível por causa de um acordo do PSB com o prefeito, que prometia levar o PMDB desembarcar na campanha do ex-deputado Marco Ubiali, candidato a prefeito nas eleições de outubro, dando-lhe preciosos minutos no horário eleitoral.
 
Nem uma coisa, muito menos outra. O PMDB oficializou ontem Flávia Lancha como sua candidata à Prefeitura. Porém, antes disso o Dr. Ubiali publicou vídeo nas redes sociais dizendo que não tinha nada a ver com a decisão dos vereadores e que ela era pessoal e o partido não poderia interferir. Como não se pode servir a dois senhores, o ex-deputado viu-se sem o apoio esperado e começa a ser hostilizado também. Assim como no caso do tapa na cara desferido por Vergara em um eleitor dentro do plenário da Câmara, o mandachuva do PSB tenta passar recibo de bom moço, quando teria todas as chances de obrigar os três vereadores a seguir a determinação do partido, sob pena de expulsão (como vários fizeram no caso do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados). Vendo sua candidatura se contaminar, Dr. Ubiali tenta uma manobra para não se prejudicar. Tal qual um macaco em loja de louças, o candidato acha que o eleitor francano é bobo. As urnas, em outubro, certamente dirão o contrário.
 
 
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