Adrianinha sonha fechar ciclo olímpico com medalha


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Adrianinha nasceu em Franca, no dia 6 de dezembro de 1978. Ela conquistou a medalha de bronze na Olimpíada de Sidney, em 2000
Adrianinha nasceu em Franca, no dia 6 de dezembro de 1978. Ela conquistou a medalha de bronze na Olimpíada de Sidney, em 2000
Representar o país em uma Olimpíada é o ápice na carreira de um atleta de alto rendimento. Disputar uma edição é motivo de orgulho e realização do objetivo. Significa estar entre os melhores do mundo. Aos 37 anos, a atleta de basquete Adriana Moisés Pinto terá seu nome marcado na história durante a disputa da Olimpíada do Rio de Janeiro, neste mês de agosto. Adrianinha irá se tornar a atleta da modalidade com maior número de participações na competição: cinco. 
 
Para coroar esse feito e fechar seu ciclo olímpico com a camisa da seleção, Adrianinha espera contribuir com toda experiência vivida no esporte e ajudar o basquete feminino na conquista de medalha. 
 
Quando entrar em quadra, em sua última competição oficial pelo Brasil, certamente um filme passará na cabeça de Adrianinha, de todo esforço, garra e comprometimento ao longo da sua carreira dedicado ao esporte da bola laranja. 
 
Em sua memória, cenas dos primeiros passos no basquete, ensinamentos do jogo compartilhados pela técnica e amiga Sayuri Yoshimura, conquistas pelos clubes, apoio dos familiares e amigos, a medalha de bronze na Olimpíada de Sidney (em sua primeira participação das quatro disputadas nos Jogos), além de toda história construída com a seleção brasileira feminina. 
 
“Eu estou muito feliz e me emociono cada vez que vejo o que o basquete fez na minha vida. É uma chance que Deus está me dando em encerrar minha carreira de um modo assim, que nunca vou esquecer”, afirmou. 
 
Além da despedida com a seleção, a armadora de 1,70 m de altura diz pensar em dar adeus à carreira profissional. “Provavelmente, ainda não tenho uma decisão concreta, mas pode ser que paro de jogar.”
 
Na Olimpíada, o Brasil está no grupo A e faz sua estreia contra a Austrália (6 de agosto), medalha de bronze nos Jogos de Londres 2012. Depois terá como adversários o Japão (8 de agosto), campeão asiático, e as outras três seleções classificadas no Pré-Olímpico Mundial: Bielorrússia (9 de agosto), França (11 de agosto) e Turquia (13 de agosto). A fase de grupos será disputada na Arena da Juventude, em Deodoro, zona Oeste do Rio de Janeiro.
 
Adrianinha nasceu em Franca, no dia 6 de dezembro de 1978. No currículo, além do bronze nos Jogos Olímpicos Sidney 2000, tem a prata nos Jogos Pan-americanos Rio 2007, o bronze nos Jogos Pan-americanos Santo Domingo 2003, e o tetracampeonato sul-americano (1999, 2001, 2003 e 2010).
 
Representar o país em uma Olimpíada é considerado o ápice na carreira de um atleta de alto rendimento. No Rio de Janeiro, você vai se tornar a atleta da modalidade com maior número de participações nos Jogos. Qual a sensação de disputar sua quinta Olimpíada e atingir esse recorde?
Eu nunca imaginei que fosse chegar a essa marca, de cinco Olimpíadas. É uma sensação indescritível. É uma realização de um sonho e devo essa conquista ao basquete. Cada Olimpíada tem uma sensação diferente. Essa por ser no Brasil, e ser a minha última, será a mais especial de todas que passei. 
 
Especialistas apontam que o Brasil caiu em uma chave considerada complicada (Austrália, França, Turquia, Bielorrússia e Japão). Que análise dá para se fazer sobre esse grupo e os adversários ao longo da competição?
Em uma Olimpíada não existe adversário ou grupo fácil. Pois em uma competição como essa, estão sempre os melhores do mundo. Sabemos que os Estados Unidos é o grande favorito, mas fora a seleção americana, não tem nenhuma equipe imbatível. Estamos treinando para fazer nosso melhor. Acreditamos em nosso trabalho e vamos ver até onde podemos chegar.
 
Por disputar a competição em casa, no Rio de Janeiro, e possuir um elenco “rodado”, com atletas com mais de 30 anos de idade, dá para nossa seleção sonhar com a conquista de medalha?
Acho que um atleta tem sempre que pensar e almejar vitórias. Quem participa dos Jogos Olímpicos, quem busca a vitória, sonha alcançar medalha. O basquete feminino está desacreditado, mas esse grupo experiente tem uma oportunidade de demonstrar que a modalidade ainda tem a sua força. Então, por que não sonhar com uma medalha? Vamos lutar para isso. 
 
Você já disse adeus algumas vezes da seleção brasileira de basquete. O que te fez voltar a defender o país?
Às vezes, no momento de uma frustração, no momento em que um resultado poderia ter sido melhor, a gente fala: “Chega, está bom”. Muitas vezes acreditei que ali era o fim, mas as coisas não funcionam sempre como a gente espera. Você defender teu país já é uma honra, ainda mais em uma Olimpíada dentro do Brasil. Como diz o nosso hino: “Um filho teu não foge à luta”. Eu não consigo falar não para a Seleção. 
 
Depois da geração Magic Paula, Hortência e Janeth, você acredita que houve um retrocesso no basquete feminino? Por que a modalidade sofre para atrair clubes para disputa e ter campeonatos competitivos?
O basquete feminino sempre teve campeonatos com poucas equipes, mesmo na época de Paula e Hortência. O nosso retrocesso foi marcado quando a modalidade não aproveitou as conquistas que elas trouxeram para massificar e popularizar a modalidade, assim como fez o vôlei, por exemplo. O basquete feminino tem suas dificuldades, assim como qualquer outro esporte amador no Brasil. Mesmo diante desse cenário, nunca desistimos de representar e lutar pela modalidade.
 
Qual a diferença entre a Adrianinha nas quadras e a Adrianinha fora delas? Como é conciliar a vida de casada e mãe com a vida de atleta?
É difícil, mas não impossível. Quando temos viagens e no caso como agora, com uma longa preparação, fica difícil de cumprir ao pleno o papel de mãe e esposa. Mas tenho o total apoio do meu marido (Rinaldo Mafra, também jogador de basquete) e da minha mãe (Zenaide Silva), que me ajuda com a minha filha (Aaliyah, de 10 anos). A saudade é sempre muito grande, mas esse esforço e dedicação em busca das conquistas no basquete, eu procuro compartilhar sempre com eles.
 
Você disputou o último campeonato nacional pelo América-PE. Com relação aos planos futuros (após disputa dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro), você permanecerá em Recife? Pensa algum dia vir jogar em Franca, antes de encerrar a carreira profissional?
Seria um sonho jogar na minha cidade, mas agora já estou prestes a completar 38 anos (6 de dezembro) e acho difícil isso acontecer. Já tenho um convite para auxiliar a equipe em Recife e ajudar nos projetos que a equipe desenvolve na cidade.
 
Além de se aposentar com a camisa da seleção brasileira, você também pretende dar adeus à carreira de atleta profissional?
Provavelmente, sim. Meu foco está exclusivamente na disputa desta Olimpíada. Ainda não tenho uma decisão exata se paro ou não, mas sinto que está próximo e pode ser que sim. 
 
Franca é considerada a Capital do Basquete no Brasil. A cidade carrega uma paixão pelo time profissional masculino do Franca Basquete, diferentemente do feminino (condições e respeito). Por ser francana, como você vê essa questão? 
Minha paixão pelo basquete como francana é igual a de todos os francanos. Talvez por falta de alguém que apoie, busque realmente criar um projeto e ir até o final com a formação de uma equipe feminina na cidade... Várias meninas praticam basquete em Franca, mas como aconteceu comigo, terão que ir embora para continuar com a carreira. Sem falar que no feminino, com um investimento bem menor, pode se alcançar resultados expressivos. Acho que o amor do francano pelo basquete é grande suficiente para repartir um pouco com o time feminino.
 
Qual é a sensação que fica quando você olha para trás e vê a história que construiu com o basquete? 
Mais do que a história que eu construí, tem a emoção. Eu me emociono cada vez que vejo o que o basquete fez na minha vida. É uma sensação de muita gratidão, por tudo que vivenciei, pelas pessoas que conheci, e por tudo que aprendi com o esporte. O basquete faz parte de mim e da minha vida. Sou muito feliz e grata por tudo que ele me proporcionou. Só tenho que agradecer.

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