Iceberg


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A palavra iceberg, em inglês, montanha de gelo, designa imensos volumes gelados que mereceram dos oceanógrafos aprofundados estudos, revelando-nos interessantes peculiaridades naturais, como, por exemplo, o fato de mostrarem apenas pequena parte acima do nível das águas e a outra - em média sete vezes maior -, esconder-se abaixo da superfície oceânica. 
 
Daí, haver surgido o uso da expressão ‘isso é apenas a ponta do iceberg’, quando se quer dizer que alguma coisa ainda não está totalmente revelada e que sua maior parte ainda é desconhecida.
 
Aplicamos tal imagem a propósito da nossa própria existência. A vida, tal como a mostramos, é apenas a parte visível do imenso iceberg. 
 
Trata-se do nosso ‘eu’ exterior, conquanto o conteúdo moral, intelectual, experiencial, espiritual, constitua a nossa personalidade oculta, o nosso verdadeiro ‘eu psíquico’, a partir do qual agimos, reagimos e interagimos ante a Suprema Justiça, resultando sermos felizes ou infelizes, por acertarmos ou errarmos. 
 
Muitas vezes, tomamos atitudes que nos surpreendem, sem que saibamos, de imediato, a razão que nos moveu, porque ela se acha abrigada no ‘eu’ inferior. Eis porque temos grande dificuldade em tomar uma nova atitude, em modificar um hábito, em alterar um comportamento. 
 
É que o nosso conteúdo interior cria um automatismo resistente, contra o qual devemos lutar, se quisermos realizar a mudança. 
 
Trata-se da chamada ‘zona de conforto’, da qual o desejo de sair implica despender grande e perseverante esforço. 
 
Agora, entendemos porque é difícil promovermos o despojamento dos hábitos. Por isso, a recomendação de a transformação íntima começar por conhecermo-nos a nós mesmos. Não é sem razão que a sabedoria da inscrição atribuída a Sócrates, presente no frontispício do Templo de Delfos – a conhecida ‘conhece-te a ti mesmo’, –  é repetida pelo Espiritismo.
 
 
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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