Uma pizza indigesta, nojenta e vergonhosa


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O fisiologismo (prática de certos políticos e funcionários públicos que se caracteriza pela busca de vantagens pessoais em detrimento do interesse público) é um dos grandes males da política brasileira. As provas são muitas e envolvem o governo federal, os estaduais e os municipais, tanto em grandes centros como em rincões afastados das regiões mais desenvolvidas do País. Este tipo de homem público privilegia os próprios interesses, como se não tivesse conseguido o mandato por voto popular. Para eles, os anseios do eleitor não contam.
 
Seis vereadores da Câmara Municipal de Franca mostraram, no final da noite de anteontem, a verdadeira natureza de sua atuação. Claudinei da Rocha (PSB), Luís Cordeiro (PSB), Donizete da Farmácia (PSDB), Bahia (PTN), Laercinho (PMDB) e Vergara (PSB) impediram que o Legislativo aprovasse a cassação do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), dono de um mandato totalmente reprovado pela população e que patrocinou uma série de ilegalidades que levaram o serviço público de saúde a promover um verdadeiro calvário a milhares de francanos, que foram obrigados a conviver com uma quadrilha de falsos médicos paga a peso de ouro por causa de irregularidades que foram ignoradas por Alexandre e seus auxiliares.
 
O sofrimento de famílias francanas que perderam membros por causa do atendimento precário foi ignorado. As intermináveis filas para pronto atendimento ou consultas com especialistas, também. Até a demora para cirurgias eletivas ou exames especializados foi relevada. A defesa do prefeito, uma catilinária do advogado de defesa, não conseguiu provar a inocência de Alexandre. Por isso, confirmou-se o acordo fechado com o PSB para enterrar a cassação. Daqui a poucos dias, estes seis vereadores — e mais o ex-deputado Marco Aurélio Ubiali, candidato a prefeito pelo PSB que fechou acordo com o PMDB que defende Alexandre — deverão sair às ruas pedindo votos, sem ter como explicar a sua decisão. Que o francano demonstre a insatisfação que tomou conta das redes sociais logo após o resultado e lhes dê uma resposta contundente, relegando-os ao lixo da história. 
 
A Alexandre não faltará preocupação: sem espaço no próprio partido, não vai concorrer à reeleição e é investigado em pelo menos três processos que apuram as irregularidades cometidas em seu mandato. A esperança é que a Justiça seja feita em nome dos mais de 300 mil francanos prejudicados não só no caso dos falsos médicos, mas também pela indústria de horas extras nas unidades de saúde e na concessão de licenças ambientais de forma fraudulenta, todos objeto de investigação do Ministério Público. Só assim para suportar mais uma pizza intragável, abjeta e vergonhosa que mais uma vez tentam nos enfiar goela abaixo.
 
 
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