Nadadores 'enganam' o corpo com óculos noturnos


| Tempo de leitura: 3 min
Mascotes das Olimpíadas Rio 2016
Mascotes das Olimpíadas Rio 2016

Com provas marcadas para começaram a partir das 22h na Rio-2016 devido à pressão de redes de TV norte-americanas, os atletas da natação brasileira tem tomado atitudes para adaptar o corpo para o horário incomum. O fisiologista Marco Túlio de Mello, que encabeça projeto conjunto entre o Comitê Olímpico Brasileiro e o Instituto do Sono, tem adotado o uso de equipamentos para "enganar" os corpos dos atletas para diminuir o cansaço dos treinos e, posteriormente, das provas.

Desde quarta-feira (27), eles têm usado óculos de luz no final da tarde e óculos escuros logo depois dos treinos. A ideia da luz é fazer com que o corpo "pense" que ainda é dia e manter a temperatura do corpo elevada, assim afastando o sono. Já os óculos escuros reduzem mais rápido o efeito despertador da luminosidade sobre os olhos.

“A situação é 'sui generis' no Brasil: nunca tivemos uma competição que se iniciasse às 10 da noite e se estendesse até uma da manhã. Fisiologicamente, o corpo está se preparando para dormir no período noturno. Todos os atletas serão prejudicados, não somente os brasileiros. O que estamos fazendo, então, é tentar atrasar o horário biológico dos atletas em três horas, estendendo a curva de temperatura corporal até meia-noite”, explica Mello.

“Os óculos dão um banho de luz, basicamente, fazendo com a temperatura do corpo continue alta e o sono atrase. Ontem, alguns nadadores ficaram em uma sala de luz, que tem o mesmo efeito e já é conhecida há tempos. Os óculos trazem praticidade”, afirma, acrescentando que a delegação de handebol, que jogará pela manhã, fará trabalho com os mesmos equipamentos, mas com o objetivo de adiantar a atividade do corpo. Cada óculos de luz, importado de Estados Unidos e Austrália, custa cerca de US$ 300 (cerca de R$ 985), e costuma ser utilizado por trabalhadores que lidam com a escuridão, como motoristas noturnos ou mineiros.

Os atletas, que usam os óculos de luz por cerca de trinta minutos a partir das 19h de todos os dias, veem com bom humor as novidades. “Eu brinco que estamos vivendo um sonho de criança: estamos acordando 11 da manhã, jantando 11 e meia da noite, dormindo duas da manhã. No meu caso, que vou ser o atleta que mais vai disputar provas da equipe brasileira, é muito importante dormir o mais cedo possível para me recuperar para o evento seguinte”, diz Nicolas Oliveira, 28, que disputará sua terceira Olimpíada.

Outro equipamento implantado pela equipe de Mello é a luva de resfriamento, utilizada depois de treinos e provas. Ela diminui rapidamente a temperatura corporal, fazendo com que o corpo chegue ao estado de sono. “A finalidade da luva é diminuir a latência do sono, ou seja, o tempo até dormir. Fisiologicamente, quando você faz um exercício, sua temperatura central aumenta. Depois de provas, exames antidoping e entrevistas, os atletas devem ir dormir às 4 da manhã. Precisamos que eles durmam o mais rápido possível. Então a luva diminui a temperatura central de maneira otimizada”, explica João Paulo Pereira Rosa, membro da equipe de Mello. As equipes de vôlei também utilizarão esse aparelho.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários