Remédios amargos serão obrigatórios


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Pelo mundo todo, pelo menos na última década, não faltaram líderes dispostos a tomarem medidas ditas impopulares para proteger a economia de seus países. Muitos deles ainda se mantêm no poder, mas a maioria já deixou o posto. Porém, suas decisões repercutem até hoje, retirando, mesmo que lentamente, seus países do buraco. Quem procurou a saída mais fácil, utilizando uma mescla de assistencialismo com paternalismo rasteiro, se deu mal. Foi o que ocorreu no Brasil, onde as medidas tomadas pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) para combater o que ele mesmo chamou de ‘marolinha’ tinham data para terminar. Sem qualquer vontade política ou mesmo coragem para fazer as mudanças necessárias para permitir a retomada do crescimento, sua sucessora Dilma Rousseff (PT) represou a marolinha e deixou o País ser devastado por um tsunami de proporções épicas que nos jogou numa crise sem precedentes.
 
Hoje, aos poucos o governo tenta apresentar e implementar reformas que não terão a capacidade de fazer a economia brasileira dar a volta por cima. A inflação continua sendo a grande vilã, perigando fechar o ano ainda em dois dígitos, o desemprego permanece crescendo e os setores produtivos mantêm a estagnação que os prejudicam nos últimos anos. Enquanto isso, a equipe econômica de Michel Temer (PMDB) timidamente começa a conversar com os representantes dos setores envolvidos para tentar adotar uma política mais austera de gastos, com o corte de cargos comissionados na máquina pública, mudanças importantes (e amargas) nas relações de trabalho e na arrecadação tributária.
 
Sempre surge um entrave, assim como setores temem perder benefícios que muitas vezes não chegam aos que mais interessam, os trabalhadores. Uma reforma na Previdência é essencial para reverter os rombos seguidos em seu caixa. A ampliação da idade para a concessão dos benefícios, diante do aumento da expectativa de vida do brasileiro, não pode ser considerada um golpe contra o trabalhador, já que a maioria dos países do mundo se decidiu por esta questão, sem que tivessem que enfrentar as dificuldades verificadas aqui. Uma reforma fiscal, chegando-se à justiça tributária defendida por especialistas, também é essencial para que o Brasil retome a trilha do crescimento ao mesmo tempo em que combate e fecha as portas dos cofres públicos à corrupção. São remédios amargos, sim, mas que precisam ser dosados e ministrados, para o bem de todos nós.
 
 
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