Nas últimas 48 horas, as chances de o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) se livrar da cassação cresceram. Uma barganha por apoio eleitoral para a campanha do ex-deputado federal Marco Aurélio Ubiali (PSB) à Prefeitura pode ser decisiva no julgamento da cassação que acontece hoje, a partir das 17 horas. Para tentar salvar Alexandre, o PMDB, controlado por um dos principais assessores do prefeito, o ex-deputado Airton Sandoval, estaria oferecendo seu apoio à campanha de Ubiali em troca dos votos dos três vereadores do PSB no julgamento desta tarde.
A manobra política vem sendo discutida entre representantes dos dois partidos desde o último fim de semana. Só não foi efetivada, porque o acordo encontra resistência dentro do próprio PMDB. Uma ala do partido, liderada pelo ex-prefeito José Lancha e pelo ex-vereador Fábio Liporoni, não quer a troca. Eles tentam lançar a candidatura da filha de Lancha, Flávia Lancha Oliveira, à Prefeitura, inviabilizando o apoio a Ubiali.
O grupo de Lancha esteve ontem, em São Paulo, reunido com Paulo Skaf (PMDB), um dos maiores líderes do partido, em busca de apoio para a campanha municipal. O Comércio não conseguiu confirmar se conseguiram o aval.
Os apoiadores de Airton Sandoval, representados principalmente pelo vice-prefeito Fernando Baldochi, têm afirmado que Lancha não tem força para uma candidatura e consideram o acordo com o PSB um bom negócio para evitar o desgaste a Alexandre Ferreira.
Com o voto dos três vereadores do PSB, os contra a cassação do mandato do prefeito somariam os seis votos necessários para arquivar o processo, já que os vereadores Laercinho do Paiolzinho (PMDB), Josivaldo Bahia (PTN) e Donizete da Farmácia (PSDB) já declararam que vão apoiar Alexandre até o fim e são contra sua cassação. Com seis vereadores a seu favor, o prefeito salvaria seu mandato, já que para a cassação são necessários dez votos dos 15 parlamentares.
Oficialmente, o pré-candidato Ubiali admitiu que chegou a conversar com o PMDB para uma aliança. “Isso foi logo depois que o Alexandre perdeu as prévias do PSDB. Conversamos e chegamos até a discutir o nome do ex-vereador Paulo Zamikovisk para o cargo de vice. Mas a conversa não evoluiu e acabamos nos distanciando.”
Ubiali negou que exista uma negociação com o PMDB em troca de votos. “O partido já deu cartão branco para que os vereadores votem de acordo com a consciência de cada um.” Apesar do tom enfático de um dos principais líderes do PSB, pelo menos cinco fontes de três partidos diferentes, entre eles, os próprios PSB e PMDB, confirmaram as conversas em busca da aliança em troca da absolvição de Alexandre.
Qualquer que seja o motivo, o fato é que os três vereadores do PSB parecem pouquíssimo propensos a votar a favor da cassação. Luís Cordeiro disse ontem que irá votar contra a cassação de Alexandre. “Eu li o relatório e não acho que haja motivos para essa cassação. Sou contra.” Claudinei da Rocha preferiu trocar a sessão histórica de julgamento por uma viagem agendada a Brasília, e só deve retornar na tarde desta sexta-feira. Luiz Vergara, que se recupera de uma infecção, confirmou que estará presente à sessão. Difícil é acreditar que o ex-líder do governo na Câmara e defensor de Alexandre vote a favor da cassação.
Pressão
Alheio aos bastidores políticos, grupos de aposentados, empresários e servidores municipais estão se organizando nas redes sociais e prometem lotar o plenário da Câmara nesta quinta-feira. A ideia é pressionar os vereadores a votarem pela cassação de Alexandre. Um dos grupos, intitulados Sherifs, disse que deve espalhar pela cidade pelo menos dez outdoors com a foto, o nome e o posicionamento de todos os vereadores na sessão de hoje.
Outros devem confeccionar santinhos e panfletos com o resultado da votação para serem espalhados durante o período eleitoral, que se aproxima.
A sessão de julgamento de Alexandre está marcada para esta quinta-feira, às 17 horas, na Câmara Municipal. O julgamento será aberto ao público e terá transmissão ao vivo pela rádio Difusora 1030 AM e pelo Portal GCN (www.gcn.net.br).
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