O aumento de 35% no salário dos vereadores de Ribeirão Corrente, aprovado no início de junho, continua causando polêmica. Na ocasião, o Ministério Público resolveu abrir um inquérito para apurar, baseado nas declarações dos vereadores, se existe prática de compra de votos na cidade. Agora, o promotor de Justiça Eleitoral responsável por Ribeirão Corrente, Yuri Borges, solicitou à Câmara Municipal cópia das declarações dos parlamentares realizadas durante a sessão para justificar a correção salarial.
“Os dois vereadores foram ouvidos na Promotoria e negaram qualquer tipo de compra de votos. Segundo eles as declarações foram apenas exemplos e foram tiradas do contexto. Agora, solicitei os áudios para analisá-los e, assim, decidir sobre o andamento do processo”, disse o promotor.
A suspeita de compra de votos nasceu das declarações dos vereadores Mauro Aparecido Gonçalves (PMDB), o Mauro Polícia, e Antônio Rodrigues Filho (PSDB), o Tunicão. Os dois utilizaram como exemplo para demonstrar a necessidade de aumento nos salários o fato de usarem o dinheiro para dar botijões de gás, cestas básicas e pagar contas de moradores da cidade.
A presidente da Câmara, Aninha Montanher (PTB), afirmou que recebeu a solicitação do promotor na tarde de ontem e, imediatamente, já encaminhou o pedido para o Jurídico. “Pretendemos encaminhar as gravações dentro do prazo proposto pelo promotor, que é de cinco dias.”
De acordo com o promotor, se configurada a compra de votos, os dois investigados podem perder seus direitos políticos.
Os dois vereadores envolvidos na polêmica foram procurados pela reportagem, mas não foram encontrados na Câmara Municipal nem atenderam as ligações feitas para os seus telefones celulares. Em junho, Tunicão disse que não se tratava de compra de votos: “É ajuda a quem precisa.”
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