Morreu às 11h40 do dia 25, no Hospital São Joaquim/Unimed de Franca, a senhora Anna Mendes Malta Baldoíno, aos 88 anos. Segundo o filho Luiz Donizeti, ‘ela desfrutou de boa saúde por toda a vida, mas nos dois últimos anos, a idade lhe pesou. Enfrentou hipertensão e seu coração nos pregou algumas peças, mas nada que a tirasse de suas atividades. Há alguns meses, foi diagnosticada com hidrocefalia, e a doença lhe causou lapsos de memória e alguma dificuldade de fala. Entretanto, foi pneumonia a levá-la a hospitalização da qual não voltaria mais para casa, para muita tristeza nossa’.
Estava viúva há 34 anos, do agricultor Geraldo Ignácio Baldoíno. Ambos de Guapuã (atual Cristais Paulista, SP), casaram-se e residiram em terras que Geraldo arrendava para o plantio de café, a fazenda Água Limpa dentre essas. Lá, a família cresceu.
Foram 10 filhos (o primeiro, falecido após um mês do nascimento; e mais o ex-funcionário da Amazonas e ex-taxista Carlos Luiz, casado com Emília; Maria Aparecida, casada com o administrador rural Antônio Bell; o representante comercial Paulo José; Helena Maria, falecida; José Antônio, aposentado; Selma, professora aposentada de Física e Matemática que atuou nas escolas ‘Ana Maria Junqueira’, ‘José dos Reis Miranda Filho’ e no ‘CEDE’, casada com Benvindo Santucci, o Tuta, proprietário do tradicional Bar Mirim; o representante comercial de Calçados Jovaceli, de Franca, em São Paulo, Luiz Donizeti, casado com Rosana; Nilva, proprietária de salão de beleza; e Neuza, ex-funcionária da concessionária Chevrolet de Franca, casada com Dejair Dall Sasso, dono da mecânica Pit Stop), 21 netos e 10 bisnetos.
Filhos crescendo, Anna passou a se preocupar em dar-lhe escola, segundo Donizeti. ‘Fomos educados segundo as regras antigas. Aprendemos o valor do trabalho e do respeito aos outros. Nossa vida não foi simples e nem fácil. Mamãe era analfabeta, mas queria que fossemos à escola. Em 1964, mudamo-nos para Franca, onde já estava meu irmão mais velho trabalhando na Amazonas. Papai conseguiu comprar uma casa na rua Capitão Urias Batista de Avellar, e lá mamãe viveu até seus últimos dias, 52 anos depois de nossa chegada a Franca, filhos sempre por perto’.
‘Compor a renda da família foi difícil. Papai se empregou como guarda noturno de indústria de calçados. À medida que crescíamos, íamos para o trabalho. Para completar os ganhos, nossos pais passaram a fazer geleia em casa. O trabalho era pesado, e todos ajudávamos. O doce que mamãe produzia com carinho, limpeza e qualidade, tornou-se bom e procurado. Foi para o Bar Mirim e até, levado por representante comercial da Cica, para familiares seus no Japão. Nos fins de semana, papai, ao invés de descansar, saia para vender de porta em porta. Boa clientela proporcionou dignidade a todos nós, mas. mamãe queria mais. Não suportava não saber ler e escrever. Foi para o Mobral e se formou com intensa alegria’, contou o filho.
‘Ela nos ensinou que na vida, nada de bom vem de graça. Sempre nos cobrou retidão e compromisso. Dizia que não são as posses materiais que determinam o valor de alguém, e sim a riqueza interior. Religiosa, fez parte de atividades da igreja de São Sebastião, e ajudou muitos que tinham menos que ela. Inesquecível, amada, respeitada por tantos que a conheceram, esta foi a nossa mãe’, disse Luiz Donizeti.
Velório aconteceu no São Vicente de Paulo. Sepultamento, com serviços da Funerária Nova Franca, foi realizado às 10 horas do dia 26, no Cemitério da Saudade.
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