Para não deixar de ser o nosso Brasil


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Sempre que ocorre algo errado, nós mesmos proclamamos “isto é Brasil”. Quando uma autoridade é pega com dólares na cueca ou então um deputado diz que acumulou fortunas por ter ‘sorte’ e ganhar centenas de vezes na loteria, usamos o mesmo mote. Quando as obras prometidas para a Copa do Mundo de 2014 não chegam ao fim, depois de enterrarem milhões dos cofres públicos ou então o governador do Rio de Janeiro anuncia que o Estado está quebrado, mas o prefeito diz que a cidade realizará os melhores Jogos Olímpicos da história, voltamos a bradar: “isto é Brasil”.
 
Pois agora a expressão está cada vez mais na moda, depois que delegações da Austrália, Argentina e outros países reclamam das obras inacabadas dos apartamentos da Vila Olímpica, a maioria deles inabitável já que ainda haviam reparos a ser feitos, como obras de hidráulica, energia elétrica e limpeza. É o que sempre ocorre neste nosso Brasil que teve oito anos para concluir a construção das instalações olímpicas e, às vésperas da competição, ainda deixa muito por fazer. Faz parte da índole do brasileiro deixar tudo para a última hora, criando uma imagem ainda pior de nosso País.
 
Já não bastavam a violência que o crime organizado leva às ruas da capital da Olimpíada e o temor de contaminação pelo zika vírus, pela dengue e pela chikungunya que afastam atletas e turistas do maior evento esportivo do Mundo. Não basta ainda a instabilidade política e econômica, que mantêm mais de 10 milhões de brasileiros fora do mercado de trabalho e todo o País à mercê de uma inflação de dois dígitos que eleva preços de insumos básicos, alimentos, produtos e serviços. Além disso, por causa da oportunidade, passou de toda a decência o reajuste vergonhoso dos preços praticados no Rio, de moradia à alimentação, envolvendo um simples picolé nas praias que custam mais do que em todo o Brasil.
 
“Isto é Brasil”, dizemos todos. Mas não deveria ser. Os Jogos Olímpicos teriam de ser uma oportunidade para que o País crescesse nas mais diversas atividades esportivas como aconteceram com os demais países onde o evento foi sucesso tremendo, como Espanha (Barcelona), Austrália (Sydney), Grécia (Atenas), China (Pequim) e Reino Unido (Londres). A promoção do esporte como processo de educação para jovens carentes (que vivem à mercê do crime organizado e que não encontram saídas a não ser uma sina de vida curta e morte violenta deveria) ter sido estimulada lá atrás, quando Rio de Janeiro foi anunciado como sede da Olimpíada. Hoje, corremos o risco de falhar não apenas nos resultados, mas também na segurança. O Brasil tem que passar a pensar diferente. Do contrário, não encontrará saídas para o seu futuro.
 
 
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