Morreu Ana Regina Mange Contart


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A professora Ana Regina Contart será cremada em Ribeirão Preto
A professora Ana Regina Contart será cremada em Ribeirão Preto
Morreu na manhã do domingo, 24 de julho, em sua casa, no bairro São José, a professora Ana Regina Mange Contart, Aninha, como se tornou conhecida. Tinha 58 anos, completados este mês. Portadora de hipertensão pulmonar, fez rápido passeio a pé no domingo, sem esforços desnecessários. De novo em casa, pegou revista e se acomodou para a leitura. Foi acometida por parada cardiorrespiratória, e não resistiu. O Samu, rapidamente acionado, só constatou o óbito.
 
Era filha do advogado Ronaldo Mange e da cantora lírica e professora de Língua Portuguesa que atuou por anos na Escola ‘João Marciano de Almeida’, Anna Antônia de Menezes Mange. Teve uma irmã, a médica Olyntha, casada com Moacir Sarmento Bolivares, residentes no Rio de Janeiro. Deixou viúvo, Higino Contart. Do enlace, uma filha, Ana Paula, funcionária de empresa multinacional promovida recentemente a atuar na Austrália, para onde seguiu ao lado do marido Lucas Baccan, há dois meses.
 
‘Conheci Ana quando ela tinha 15 anos. Foi amor à primeira vista. Namoramos por 11 anos. Tivemos 32 anos de casamento. Vivemos 43 anos juntos. Era meu norte, norte de nossa família, nossa força motriz, a energia sempre positiva a nos remeter à frente, em busca de novos desafios. Mesmo tendo partido, quem a conheceu continuará sentindo sua vibração positiva, que nunca haverá de se perder’, disse Higino.
 
Uma de suas tantas e queridas amigas, a professora Sinara Caleiro, afirmou que a perda de Ana é ‘impossível de ser superada’. ‘Ela era agregadora, excelente ouvinte, colo com que se podia contar. Quando perdi minha filha, foi Ana quem me fez continuar minha caminhada. Ela tinha esse dom, o de acalmar as pessoas, voltar a fazê-las sorrir e a acreditar em algo maior. Seus amores foram seu marido e sua filha. Seu foco, as amizades e os tantos estudantes que formou como homens e mulheres decentes e bem resolvidos. Sua paixão, a escola Toulouse Lautrec, que ajudou a construir’.
 
Ana, professora de educação artística com especia-lização em música, ingressou na Toulouse a convite de Marta Maria de Campos Figueiredo e Isabel Cristina Zinader, fundadoras da escola. ‘Marta, a idealizadora, praticava em suas aulas na escola pública, o que acreditava ser capaz de motivar seus alunos a ampliarem suas capacidades criativas. Abriu uma escola de artes. Num certo tempo, percebeu nos alunos o desejo de permanecerem mais tempo nas atividades que sua escola propunha. Aí, decidiu-se por ampliar atividades. O convite a Ana proporcionou ao time de idealizadoras uma intensa e estimuladora capacidade de agregação. Diziam que ela era uma quase anarquista, capaz de motivar alunos e até professores a quererem sempre mais. O clima, com a chegada de Aninha, se tornou de criação plena, e cada um se sentia completamente livre a participar. Ela foi determinante na vida da Toulouse Lautrec’, disse a ex-professora da escola, Rita Teixeira, autora de livro que contou os 40 anos da Toulouse. 
 
‘Ana sempre se renovava. Quando o fazia, levava consigo tantos quantos pudesse. Em certo tempo, para ree-nergizar tudo, pregou sobre a necessidade de adquirir mais e mais conhecimentos. Pregou e se colocou em campo, ela própria buscando mais especialização. Todos a acompanharam, direção, professores, estudantes. Aproximou a escola de grandes nomes da educação, como Madalena Freire. Também, do escritor e cartunista Ziraldo, com quem fez amizade duradoura. Depois de conhe-cer Ana, ninguém mais era o mesmo. Madalena, Ziraldo e quem com ela conviveu, não deixaram mais de acompanhar tudo o que se referisse à Toulouse. A escola referencial que teve muito dela, já recebe hoje, a segunda ge-ração dos alunos aos quais lecionou. Depois de consi-derar o encerramento de seu ciclo e, junto a Marta e Cristina se decidirem a transferi-la a outro comando, Ana não foi descansar: agrupou amigas e começou curso de Literatura em Ribeirão Preto. Era um dínamo’, concluiu Rita.
 
Velório está acontecendo no São Vicente de Paulo, com serviços da Funerária Santa Bárbara. Às 15h30 de hoje, o corpo será transladado para cremação em Ribeirão Preto.

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