Quarta-feira, 20 de julho de 2016. Férias escolares. Fim de tarde e dezenas de crianças aproveitam o tempo - o céu está aberto e o vento forte - para se divertir com uma das brincadeiras mais populares neste período: empinar pipa. A diversão, porém, pode facilmente transformar-se em uma tragédia.
Cortando o céu da cidade, milhares de pipas representam riscos para motoqueiros e ciclistas, maiores vítimas de acidentes envolvendo a brincadeira. Com linhas “banhadas” de cerol e também as chilenas - uma opção importada que surgiu nos últimos anos e, apesar de ser proibida é encontrada facilmente em vários estabelecimentos da cidade -, crianças e adultos se arriscam diariamente e, assim, colocam em risco também a vida de outras pessoas.
“O mais divertido é cortar a pipa do outro. Hoje nem usamos muito cerol, dá trabalho para fazer, a ‘onda’ mesmo é a linha chilena. Ela é bem mais cortante e fácil de achar”, diz o adolescente de 15 anos, que todos os dias, no Ana Dorothéa, empina pipa com mais de dez amigos.
Com as mãos repletas de machucados, todos causados pela linha chilena, outro adolescente do grupo reconhece os perigos, mas afirma que todos eles valem a pena. “Antes usava o cerol, mas agora prefiro a chilena, na verdade a maioria de nós usamos ela. Machuca um pouco e quando usamos a carretilha é mais tenso ainda, só que é divertido”, disse o adolescente de apenas 10 anos.
A situação se repete por vários bairros da cidade. Não é preciso andar muito para encontrar grupos de meninos com pipas. Todos, sem exceção, confessam o uso dos materiais proibidos.
Na rua General Bertoldo Klinger, na Vila Santa Terezinha, ao lado da rodovia Cândido Portinari, dezenas de crianças brincam, todos os dias, em um campinho. Não é preciso muito tempo para flagrá-los correndo na rua, sem olhar para os lados e atrapalhando o trânsito. Frequentemente, os veículos precisam parar para evitar acidentes e, com a mesma frequência, as pipas vão em direção à rodovia e assustam os motoristas.
“Meus pais sabem que uso cerol e a linha chilena, mas eles só me pedem para ter cuidado. É impossível não usar, eles cortam nossa pipa e acabamos sem, por isso é necessário. A diversão está nisso, mesmo que seja perigoso”, disse um garoto de 13 anos.
Neste mês, ao menos três motoqueiros se feriram após serem atingidos com linhas de pipa, enquanto trafegavam pela rodovia Cândido Portinari, próximo ao Jardim Guanabara.
Fiscalização
Em Franca, uma lei de 2009, proíbe a utilização de cerol em linha para empinar pipas. A multa para quem for flagrado descumprindo a lei é o pagamento de 250 UFMF (Unidades Fiscais do Município de Franca), avaliada hoje em R$ 52,47, o que corresponde a R$ 13.117,50.
A responsabilidade por essa fiscalização é da Guarda Civil Municipal que relatou realizar, dentro das possibilidades do seu efetivo, o trabalho para combater a utilização de cerol e linha chilena. “Esclarecemos que estamos em período de recesso escolar e, todos os dias, centenas de crianças e adolescentes vão às ruas para brincar de soltar pipa. Assim, dentro das nossas possibilidades, tentamos conjugar esta tarefa com as outras atribuições do órgão.”
A Polícia Militar informou que alerta aos pais e responsáveis para que não permitam que seus filhos utilizem linhas com cerol ou qualquer produto semelhante, bem como, aos adultos, para que sejam exemplos para as crianças e adolescentes, não utilizando tais produtos proibidos por lei.
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