O desempregado Hyago de Paula Rodrigues, de 23 anos, acusado de roubar e matar o frentista Márcio Rangel, do Posto Dallas, em julho do ano passado, foi condenado a 23 anos e quatro meses de prisão em regime fechado. Além dele, o sapateiro Thiago Alex de Oliveira Silva, 21, apontado como o mentor do latrocínio (roubo seguido de morte), recebeu a mesma pena. Os outros dois envolvidos, o segurança Lucas Henrique Cristiano, 21, acusado de pilotar a moto usada no crime, e o chapeiro Reginaldo de Camargos, 35, que teria “dado a fita”, foram absolvidos.
A sentença foi expedida na manhã de ontem. Nela, o juiz Alexandre Semedo de Oliveira, da 3ª Vara Criminal, aponta as razões para a condenação de Hyago e Thiago. Sobre o desempregado, assassino confesso desde o momento que foi pego por policiais da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), dois dias após a morte, ele destacou que “Hyago, nas vezes que foi ouvido, admitiu os disparos em virtude da reação da vítima. Quem se propõe a fazer um assalto à mão armada, sabe que morte coloca-se como um dos desdobramentos possíveis. Ao resolver praticar, mesmo assim, assume claramente o risco de produzi-lo, o que caracteriza um dolo eventual.”
Sobre Thiago, que teria sido o mentor e dado as instruções para o roubo no posto Dallas do Jardim Aeroporto I, Semedo ressaltou que o acusado atestou sua participação desde os depoimentos até as perguntas feitas a Camargos, ex-funcionário do posto, na tentativa de saber a rotina do estabelecimento para executar o roubo. “Nos próximos dias, quando o prazo de recurso tiver início, pretendemos recorrer da decisão”, disse a advogada Renata Moraes, que cuida da defesa de Thiago ao lado da também advogada Raisa Morandini.
No decorrer da sentença, o juiz absolveu Camargos e Silva, presos desde o ano passado pelo latrocínio. Eles tiveram o alvará de soltura expedido ainda ontem pois, segundo Semedo, o primeiro não foi acusado em juízo por Thiago e não havia nenhum elemento que comprovasse sua participação e que tivesse “dado a fita” em uma conversa que teve com o sapateiro, enquanto trabalhavam juntos. “Não se pode retirar daí a consequência pretendida de tê-lo como um dos sujeitos intelectuais do roubo.”
O último citado foi o segurança Lucas Henrique Cristiano. Semedo determinou sua liberdade devido à possibilidade de que a moto usada no roubo não ser a mesma do acusado. Além disso, os depoimentos da ex-namorada, que estaria com Lucas na hora do latrocínio, e de outras testemunhas, como seu pai, contribuíram para sua absolvição. “Os méritos são da Justiça, que apreciou a prova, sem paixões. O Lucas já tinha demonstrado a impossibilidade de estar no local, naquele horário”, disse o advogado de defesa Adauto Casanova.
Enquanto o segurança e o chapeiro voltam para casa, Hyago e Thiago seguem no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Franca. Nos próximos dias, devem ser transferidos para uma penitenciária. Assim, iniciarão o cumprimento da pena determinada. Ainda não se sabe o destino dos condenados.
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