E vai continuar tudo na mesma


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No mesmo momento em que uma série de processos abertos pela Justiça Federal indicia e condena operadores de esquemas fraudulentos em estatais, autarquias e ministérios do País, aparentemente a Câmara dos Deputados não demonstra qualquer interesse em levantar todas as falcatruas que envolvem o nosso futebol. A se depender dos nossos parlamentares, o futebol brasileiro, cujas denúncias de ações criminosas se avolumam ao mesmo tempo em que a excelência do esporte no País desce a ladeira, nada será investigado ou aprovado. São dirigentes que utilizam da influência e da paixão do brasileiro para encher os próprios bolsos, alguns deles já denunciados (e presos) pelo FBI (a polícia federal dos Estados Unidos), como o ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), José Maria Marin.
 
Instalada em março para investigar denúncias contra dirigentes envolvidos no escândalo da Fifa, a CPI da Máfia do Futebol, na Câmara dos Deputados, foi extinta na última quarta-feira, quando o prazo se encerrou. A Comissão enviou requerimento ao presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pedindo mais tempo para a apuração, mas ele não foi deferido. A CPI termina sem a apresentação de um relatório. Foram realizadas 17 reuniões, mas os deputados não conseguiram ouvir nenhum dos cartolas brasileiros indiciados pela Justiça americana. Os requerimentos para a convocação do atual presidente da CBF, Marco Polo del Nero, nunca foram votados. O depoimento do ex-presidente da entidade Ricardo Teixeira entrou em pauta no dia 14 de junho, mas ele não compareceu. Havia pedido para ouvir José Maria Marin em Nova York, onde o ex-dirigente cumpre prisão domiciliar, o que não se concretizou.
 
Como se pode ver, a falta de interesse demonstra que a influência da CBF e da Fifa extrapola os campos de futebol. Para se ter uma ideia, milhões de reais foram desviados na construção das arenas para a Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, mas a corrupção só começa a ser investigada pela Polícia Federal como novo foco da Operação Lava Jato. O principal nome da CBF, o presidente Marco Polo Del Nero, evita deixar o País com medo de ser preso. Somente a partir do momento em que a cúpula do futebol, que lucra bilhões e enriquece criminosamente, for investigada e responsabilizada pelos esquemas fraudulentos e criminosos, é que o o principal esporte do País poderá retomar seu rumo em direção à glória dos anos passados, quando era considerado o melhor do mundo. Hoje, ao contrário, perdemos até para o Chile e para o Paraguai, num reflexo de uma má administração que prioriza os interesses pessoais dos dirigentes em detrimento da paixão dos torcedores.
 
 
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