Morreu às 11 horas do dia 20, na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital São Joaquim/Unimed, em Franca, José Luís Veríssimo, o comerciante e conhecido ex-radialista Jota Luís, aos 82 anos. Portador de problemas cardíacos, há cinco anos José Luís perdeu o filho Ricardo, e sofreu profundo baque emocional. ‘Ele, que já enfrentava debilitação própria da idade, tornou-se muito triste. Piorou ainda mais com outra morte, a de seu irmão mais novo, há um ano e nove meses. Papai não foi mais o mesmo’, disse a filha Renata. Há 30 dias, José Luís, em grave crise respiratória, foi internado pela família. Piorou nas semanas seguintes, mas não se rendeu. Lutou muito pela vida. ‘No dia anterior à morte, até ficamos animados. Ele tinha recebido alta da UTI, mas não chegou a ir para o quarto. Nova intercorrência de saúde o manteve na Terapia Intensiva. No dia seguinte, não suportou’, contou, emocionada, a filha.
Era natural de Restinga, filho de Luís e Julieta Veríssimo, irmão de Neuza, Fábio e Moacir, o Ciro. A família se mudou para Franca em busca de escola para os filhos e oportunidades de trabalho. Aqui, Luís e o filho José Luís montaram pequena mercearia. Em 1960, boa voz e educação, José Luís conquistaria espaço na programação da tradicional PRB-5, Rádio Clube Hertz de Franca, e tornou-se locutor conhecido.
‘Comandava o programa Caixa de Pedidos, produzido pela Lintas, agência de publicidade que cuidada da propaganda da Gessy Lever nas Emissoras Coligadas, dentre as quais, a Rádio Hertz de Franca. Tinha voz agradável, era um sujeito pacífico e bom companheiro’, disse o radialista Luiz Cláudio Barsotelli.
‘A PRB-5 funcionava em sobrado da praça Barão da Franca. No andar térreo, havia uma farmácia e, nela, mamãe trabalhava. Ela sabia do Jota Luís. Ouvia seus programas. Ficou surpreendida quando viu o moço ir cada vez mais à farmácia, pedindo para que ela o atendesse. Foi, literalmente, paquerada por ele’, disse a filha. Um dia, Jota tomou coragem e perguntou à funcionária Cleusa Alves, se poderia acompanhá-la até sua casa. Ela aceitou. Dois anos depois, estavam casados. Tiveram 56 anos de enlace. Está agora viúva dele. ‘A comemoração das Bodas de Ouro foi emocionante, toda a família reunida. Jamais nos esqueceremos.’
Do casamento, José e Cleusa tiveram três filhos (Rosana, casada com Edmilson Bonfim; Renata; e Ricardo, o filho que faleceu, deixando viúva a senhora Eddie Lilian, Edinha). Dos enlaces dos filhos nasceram seis netos (Eduardo, Sofia, Natália, Lívia, casada com Rafael Della Posta; Viviam e Lara) e um bisneto, Miguel.
Jota Luís permaneceu na Hertz por mais de 20 anos. Trabalhou ainda, por curto período, na Unifran FM, da Universidade de Franca. Com o pai, foi dono do tradicionalíssimo Bar do Cine Avenida, instalado à avenida Presidente Vargas. ‘Papai e vovô exerceram a atividade paralelamente à carreira dele como radialista. O bar tinha porta para a rua e um balcão interno, aberto ao hall de entrada do cinema. Várias gerações foram atendidas pelos dois. Fecharam quando o cinema deixou de funcionar’, disse Renata.
‘Meu José foi um anjo enviado por Deus à minha vida. Quando perdi meus pais, ele assumiu meus irmãos mais novos e me ajudou a torná-los gente séria, como ele próprio era. Toda a nossa família é profundamente feliz por tê-lo como marido, pai, avô, bisavô. Um bom homem cujas lembranças e bons exemplos jamais vão morrer’, disse sua viúva.
O velório aconteceu no São Vicente de Paulo. O sepultamento, com serviços da Funerária Nova Franca, foi realizado às 13 horas do dia 21, no Cemitério Parque Jardim das Oliveiras.
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