A jornalista que denunciou Biel por assédio sexual mostrou o rosto pela primeira vez e contou o que aconteceu na entrevista.
Giulia Pereira, de 21 anos, estudante do último ano de Jornalismo, participou do Programa do Gugu, na quarta-feira, dia 20, e explicou ter trabalhado por 9 meses no Portal iG, entrevistando vários famosos nesse período.
Além dela, outros jornalistas, de outros veículos de comunicação estavam presentes na entrevista de Biel. "Por ser uma entrevista em vídeo e por ser para um público jovem com assunto leve, eu não tenho como fazer sem ser de forma descontraída. A gente tem que tentar sempre ser simpática e deixar o entrevistado num clima confortável... Porque a gente tem que entregar um trabalho. Eu não posso sentar ali e ser antipática, ficar com a cara fechada", contou em resposta àqueles que questionaram a descontração dela no vídeo.
Como trabalhava de estagiária no Portal iG, Giulia teve medo de abandonar a entrevista por não saber como seus chefes reagiriam. "Eu ser simpática não dá abertura pra ele e pra ninguém de fazer os comentários que ele fez. Me oferecer beijo, perguntar se eu queria que ele mostrasse a heterossexualidade dele, me chamar de gostosa. Não existe isso nem em entrevista e nem em lugar nenhum!", declara Giulia. Após a entrevista em vídeo, a estudante fez outra parte do material em áudio.
"Além do vídeo - de ele me chamar de gostosa, perguntar se queria saber da heterossexualidade dele -, eu ia fazer outras perguntas em áudio. Antes de eu começar a gravar, ele olhou pra mim e falou que eu tinha cara de quem sofria bullying na escola, que tenho cara de sentar na frente da sala, e que ele estava muito ocupado na época de escola dele comendo almofadas... Uma conversa sem muito nexo... Aí ele perguntou pra mim se a minha entrevista era a última do dia e a minha era a penúltima. Daí ele olhou e falou: 'É uma pena' porque se a minha fosse a última, ele iria me levar pra um hotel e me estuprar... Isso sempre me deixa muito nervosa. Sempre é a parte que me deixa muito nervosa! Tanto que a primeira coisa que eu fiz foi ligar o gravador, que não estava ligado nessa hora, e a primeira coisa que você me ouve falar no áudio é: 'Vamos falar da sua música porque é o que importa'. Eu nem sabia o quão mais longe isso poderia ir!", contou a estudante, se emocionando.
Após a entrevista, a estudante procurou uma amiga. "Eu peguei um táxi e fui pra casa de uma amiga. Cheguei chorando e contei o que aconteceu. Aí eu me acalmava e mais tarde ficava nervosa de novo... É um processo que continua acontecendo!... Toda vez que eu falo disso, machuca!", lembra Giulia.
A estudante explicou que o vídeo foi gravado por um dos veículos de comunicação presentes e que ela esperou que eles enviassem o material a ela para registrar o boletim de ocorrência. A estudante também comentou sobre sua demissão e de sua editora. "Na demissão da editora, alegaram corte de gastos. Eu acho ingênuo achar que 'por acaso' as duas jornalistas diretamente ligadas ao caso foram as duas demitidas. É quase uma traição! Eu realmente não esperava esse tipo de coisa", declarou a estudante.
O cantor e o Portal iG foram procurados, mas nenhum deles retornou o contato da reportagem para se pronunciar. "Eu vou focar agora na faculdade porque não tenho muito o que fazer. Não me arrependo de nada! Faria tudo de novo! Eu não sei o que vai ser da minha carreira, da minha vida pessoal, do que vai ser daqui a três meses...", continuou Giulia. "Eu espero que o assunto não morra. Que cada vez mais jornalistas, mulheres, possam se posicionar e não deixar que isso aconteça. Que isso possa ser um exemplo e um começo!", encerrou ela.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.