Aos 67 anos de idade e com mais de 40 de carreira, o sambista Jorge Aragão é homenageado com um "Sambabook": caixa com CDs, DVD, Blu-ray, um livro autobiográfico e partituras (todos também vendidos separadamente). No material, um registro ao vivo das principais canções de Aragão na voz de 23 convidados especiais.
"Esse "Sambabook" da Musickeria [selo do projeto] é um trabalho visionário. Tem até as partituras das músicas que vão chegar aos jovens de escolas, bibliotecas e ONGs de música", fala Jorge Aragão, que foi convidado dos "Sambabooks" de João Nogueira e de Zeca Pagodinho.
Autor de clássicos, como "Coisinha do Pai", "Vou Festejar" e "Lucidez", Aragão ganhou destaque nos anos 1970 quando Elza Soares gravou "Malandro", canção retratada por Baby do Brasil no "Sambabook". Frequentador do bloco e da roda de samba do Cacique de Ramos, ele também foi um dos fundadores do Fundo de Quintal. "Tenho sorte de meu trabalho ter longevidade. Hoje, os sambas-enredo duram meses e são esquecidos. Eu subo no palco para cantar um samba de 47 anos atrás, e as pessoas cantam comigo como se fosse atual", diz.
Influência para todos os jovens músicos, Jorge Aragão lembra que era guitarrista de uma banda de baile e, aos poucos, descobriu o samba como paixão. "Eu ouvia Partido em 5, Candeia e achava que Roberto Ribeiro estava no topo da lista, com a sua voz potente, com a sua escolha de repertório", conta. Aragão diz que fugiu muito da ideia de gravar um disco justamente porque comparava a sua voz à de Ribeiro e só registrou o seu primeiro álbum à força. "O produtor mentiu para a direção da gravadora e falsificou a minha assinatura", lembra.
Sobre o futuro, Aragão deseja ter paz. "Eu prefiro viver a minha velhice dentro da minha casa, sabendo que eu fiz a minha parte, do que ser carregado de um lado para o outro. Em um país em que não tem memória, você ser cultuado na minha idade é muito bom. Mas, se eu chegar no meu limite físico, vou pedir que me deixem quietinho", diz.
PARTICIPAÇÕES
Diogo Nogueira tem experiência em "Sambabooks". Embaixador do projeto, ele participou de todas as edições. "A primeira foi em homenagem ao meu pai, João Nogueira, e depois tivemos Martinho, Zeca e Dona Ivone Lara", lembra Diogo. "A equipe sempre procura músicas que tenham uma nova interpretação na voz de diferentes artistas. Fiquei feliz com o resultado de cantar "Eu e Você Sempre"."
Os convidados saem do mundo do samba com Emicida, Lenine, Ivan Lins, Anitta e outros nomes. "Sempre aprendi em ver como esses e outros artistas vestem a minha música. O "Sambabook" me deu muito mais do que eu poderia ter em poder ver Baby cantando "Malandro", Ivan Lins em "Alvará" e Anitta com "Coisinha do Pai"", diz Aragão.
FUNDO DE QUINTAL
O grupo Fundo de Quintal não poderia faltar no "Sambabook" de Jorge Aragão. Eles cantam "Resto de Esperança". "O Jorge foi um dos inúmeros talentos descobertos pelo Fundo de Quintal e pelo Cacique de Ramos, como foi Arlindo Cruz, Almir Guineto e tantos outros", lembra Bira Presidente, fundador do grupo. "Sou fã do Jorge, que faz um samba mais calmo, de um jeito único", defende Bira. Ele canta com os remanescentes do grupo: Ademir, Sereno, Ronaldinho, Ubirany e, ainda, Mário Sérgio, que morreu em maio.
Aragão fala com orgulho do Fundo e avalia que os tempos de hoje são outros. "Sou da época em que os sucessos das rádios surgiam nas rodas de samba, como Cacique de Ramos. Hoje, as rodas funcionam no gueto, em paralelo a outras músicas que já chegam pelo topo", diz o sambista.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.