Há pouco mais de setenta dias das eleições municipais, percebe-se um nítido distanciamento do eleitor, e pode-se dizer, de até desinteresse pelo resultado final delas, e não apenas em Franca..
O mesmo tem sido observado por especialistas na maioria das cidades brasileiras. Em Cássia, Minas Gerais, minha terra natal, onde as eleições municipais sempre foram muito acirradas e monopolizaram candidatos e eleitores desde o início de cada ano eleitoral, não é diferente.
Lembro pouco, pois de tenra idade, as ferrenhas disputas naquela cidade, entre candidatos do antigo PSD (Partido Social Democrático), capitaneados pelo meu avô Setímio Salerno e, os da UDN (União Democrática Nacional), liderados pelo então deputado Dr. Humberto de Almeida. Esses dois partidos foram substituídos depois pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro) e ARENA (Aliança Renovadora Nacional).
Esse desinteresse do eleitor, tem, a meu ver, dois claros aspectos. O primeiro reside na atual lei eleitoral, que diminuiu o prazo da propaganda, além de impedir qualquer manifestação pública de candidatos antes do prazo legal. A mesma lei acabou, também, com os antigos e tradicionais ‘showmícios’.
O segundo, pode-se atribuir, certamente, à desilusão, à descrença e ao desencanto do eleitor pela política, mesmo a local, aquela que afeta a sua vida. Sim. É nas municípios que as pessoas residem e vivem suas vidas. São as prefeituras e câmaras eleitas por essas pessoas, que administram a saúde pública, o saneamento, a segurança mais próxima delas.
Sem dúvida, esse alheamento do eleitor com os destinos de sua cidade, que beira até o descaso, não contribui em nada para o aperfeiçoamento das instituições democráticas. Pelo contrário. Acaba estimulando a nefasta cultura de se votar no menos pior, ou naquele candidato que ele, eleitor, acha que será o vencedor, cultivando-se a improdutiva ideia de não se ‘perder’ o voto.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial, professor da Faculdade de Direito de Franca
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