Dias carregados de dor, tristeza e expectativa por conta da demora da Justiça em dar um desenrolar para o caso. Foi assim que a dona de casa Pamela Mendes, de 28 anos, definiu sua vida após a morte da mãe, Aparecida das Graças Ribeiro, 62. Ontem, o acidente que matou a idosa e a vizinha, Roselaine Henrique Rafael, 34, completou dois anos sem uma resposta. O motorista que atropelou as duas, Luís Fernando Barbosa Silva, 30, segue em liberdade e ainda não foi julgado.
Dois anos depois, o atropelamento ainda causa indignação. Segundo Pamela, as duas famílias ficaram destruídas e o sapateiro não procurou ninguém para oferecer ajuda ou explicar o que aconteceu. “Ele dirigiu bêbado, matou duas pessoas e age como se nada tivesse acontecido. Já o vi bebendo e dirigindo de novo. A vida dele não mudou em nada. Já a nossa, acabou”, disse.
Pamela, única filha de Aparecida, definiu com tristeza a demora para que a tragédia tenha um desfecho e contou como está seu dia-a-dia desde então. “Minha filha de 6 anos sente sua falta. Tenho uma bebê de 7 meses que não pôde conhecê-la. Meu pai, casado com ela por 30 anos, não conversa e faz tratamento para depressão. E eu vivo a base de remédios. Nunca mais senti um abraço como o da minha mãe, e não tenho mais isso por culpa do Luís Fernando”, relatou.
Segundo ela, o mesmo acontece com a família de Roselaine. “Ele matou uma mãe de três filhos: de 14, 12 e 4 anos. Deixou um marido sem mulher. Foram duas perdas sem explicação, e precisamos de uma solução, pelo menos na Justiça.”
Durante toda a tarde dessa quarta-feira, a reportagem do Comércio tentou falar com a advogada de defesa de Luís Fernando Barbosa Silva, Kátia Maria Manzani. Por telefone, um funcionário informou que ela estava fora de Franca e retornaria as ligações. Porém, até o fechamento desta edição, isso não aconteceu.
O caso
Na manhã do dia 20 de julho de 2014, Silva bateu contra uma árvore, capotou e atropelou Aparecida e Roselaine, que faziam caminhada na avenida São Vicente, perto do Clube dos Servidores Municipais. Elas foram atingidas na calçada pelo veículo. Aparecida morreu na hora. Roselaine, duas horas depois. Um casal, ocupante do veículo, ficou ferido.
Cambaleando, Silva admitiu à PM ter bebido, mas se recusou a fazer o teste do bafômetro. Como não pagou a fiança de R$ 5 mil, foi levado para o CDP (Centro de Detenção Provisória), onde ficou preso por dez dias.
Dali em diante, o caso passou para o 4º Distrito Policial. O delegado Dalmo Mateus Polo o indiciou por homicídio doloso e encaminhou o caso à Justiça. Na denúncia apresentada pelo Ministério Público, o motorista foi acusado de ingerir bebidas alcoólicas em mais de um estabelecimento e de ter assumido o risco de matar.
Em maio do ano passado, o juiz José Rodrigues Arimatéa, das Varas do Júri e Execuções Criminais de Franca, decidiu mandá-lo a júri popular pelos dois homicídios e duas tentativas de homicídio. Ainda não há data de julgamento.
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