‘Era enérgica e doce na exata medida, dosava alegria e servidão nos momentos necessários’
Morreu na Santa Casa de Misericórdia de Franca, no sábado, dia 16, às 23h30, a senhora Wanda Feliciano. Tinha 87 anos. De dois anos para cá, dona Wanda foi apenada por problemas renais e respiratórios que lhe roubaram parte da condição ágil e presente com que viveu toda a sua vida. “Ela sempre foi uma mulher de grande dinamismo. Participava intensamente de todas as causas da família. Em razão de pneumonia, a internamos no sábado, dia 9, e ela lutou bravamente por sua recuperação. Órgãos entraram em falência e, infelizmente, ela foi vencida. Sua partida foi muito sentida por toda a família. Tínhamos grande respeito e carinho por ela”, disse a sobrinha Susan Deise.
Foram seus pais José Feliciano e Celina Vidal Feliciano. José era especialista em chapelaria. “Produzia e dava manutenção em chapéus, acessório indispensável aos homens de seu tempo, que usavam ternos completos com regularidade. Suas habilidades o levaram, e à família, a residirem em cidades diferentes”, contou Ana Rita, mulher de Fausto Puglia, neto do casal.
Wanda teve três irmãos: Edson, casado com Ilda, ambos falecidos; Wilson, casado com Áurea, também falecidos; e Ivone, que deixou viúvo Luiz Puglia Filho, conhecido músico e contabilista que manteve escritório na rua Major Claudiano, em Franca, por décadas.
Não se casou, mas em compensação tornou-se a “tia preferida” de muitos sobrinhos, já que pôde se dedicar a estar próxima a vários deles, nas diferentes ocasiões de sua vida. Dos casamentos dos filhos, José e Celina tiveram sete netos (Walquíria, Edson Júnior, Wilsinho Filho, Susan Deise, Fausto, casado com Ana Rita Faleiros; Samuel, casado com Luciana Ribeiro; Tércia, casada com Gilberto Coutinho) e 13 bisnetos (Murilo, Tobias, Moisés, Estevão, Maria Clara, Maria Ester, Isaias, Eduardo, Maria Laura, Maísa, Gabriel, Paula e Celina). Para Wanda, todos foram “sobrinhos queridos”.
“Tia Wanda se tornou muito importante na vida de seus irmãos e filhos deles. Depois de trabalhar muitos anos em transportadora paulistana, aposentou-se por conta de acidente. Daí em diante, passou a ajudar a família, cuidando dos filhos enquanto os pais trabalhavam. Murilo morou com ela por um tempo, quando seus pais faleceram. Susan Deise e ela construíram amizade forte. Foi a sobrinha o último familiar a estar com ela no dia de sua morte”, disse Ana.
Depois do acidente, Wanda mudou-se para Franca. “Era o início da década de 1980. Completamente independente, titia dedicou-se a pequenos comércios de roupas e produtos de beleza para complementar sua renda. Nunca a vimos desanimada. Nossa família sempre foi festeira e musical. Então, reuniões eram muito comuns. Ela, com dotes culinários maravilhosos, ia para a cozinha e tornava esses momentos inesquecíveis”, disse Susan.
“Tia Wanda era enérgica e doce na exata medida, dosava alegria e servidão nos momentos necessários. Há mais duas coisas que quero contar: uma, a paixão dela por animais. Tinha uma gata, a Chaninha. No dia e horário da morte dela, familiares me contaram que a gatinha miou por muito tempo, forte e desesperadamente. A outra, o olhar doce com o qual ela me brindou pouco antes de falecer. Vislumbrei o mesmo céu que ela, certamente, vislumbrava naquele momento. Nunca esquecerei”, concluiu Susan.
O velório aconteceu no São Vicente de Paulo. O sepultamento, com serviços da Funerária Nova Franca, foi realizado dia 17, no túmulo da família, no Cemitério da Saudade.
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