Em boca fechada não entra mosquito


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Que a saúde pública no Brasil se encontra num beco sem saída ninguém tem dúvidas. Ao mesmo tempo em que existem ilhas de excelência, com hospitais de qualidade e centros de pesquisa do mais alto nível, a realidade é que a maioria das unidades sob a responsabilidade do Poder Público enfrenta sérios problemas de gestão, onde os desvios e fraudes sonegam leitos, vagas em hospitais e até medicamentos imprescindíveis. Há milhões de brasileiros que, diante de sua própria situação financeira, só contam com o atendimento médico oferecido pelo governo. E, num sistema deficiente, as mortes são inevitáveis e se repetem em todo o País, sem que o governo apresente qualquer alternativa que torne o SUS (Sistema Único de Saúde) mais eficiente e menos desumano.
 
Neste contexto, o ministro da Saúde Ricardo Barros (PP/PR) tem deixado claro que dificilmente partirá dele qualquer medida que pelo menos amenize esta situação que coloca em risco a saúde de milhares de brasileiros que buscam as unidades públicas de saúde por todo o País. Em audiência no Senado, Ricardo Barros anunciou que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) poderá liberar nova modalidade de planos de saúde, de menor preço, mas com restrições de serviços e atendimentos. Em resposta, entidades de defesa do consumidor e de saúde informam que é falso o argumento do ministro de que a venda de “planos populares” irá “aliviar” o SUS. Estes planos são considerados verdadeiros caça-níqueis: ofereceriam serviços mambembes, esvaziariam o SUS e enriqueceriam seguros privados — que financiaram o atual ministro. Para eles, a saída é oposta: fortalecer o sistema público. Se os planos registram queixas diárias ao atendimento dado aos seus conveniados, como serão tratados os que pagarem bem menos?
 
Agora, Barros volta à carga e coloca a culpa nos problemas do SUS nos próprios usuários. Segundo ele, a maioria dos pacientes que procuram atendimento em unidades de atenção básica da rede pública apenas “imagina” estar doente, mas não está. De acordo com o ministro, é “cultura do brasileiro” só achar que foi bem atendido quando passa por exames ou recebe prescrição de medicamentos e esse suposto “hábito” estaria levando a gastos desnecessários. Entidades médicas criticaram a fala de Barros e vêem uma tentativa de reduzir ainda mais os investimentos no SUS que, ao contrário, precisa de maiores verbas e contar com um sistema de fiscalização que evite fraudes, corrupção e desvios. Quando começar a agir neste sentido é que Ricardo Barros mostrará estar realmente trabalhando para melhorar o sistema. Até agora, só falou bobagens.
 
 
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