Últimas mensagens de Rosane relatam medo e sofrimento


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Conversas da vítima com amigas pelo WhatsApp mostram que a bancária temia pela própria vida. Na imagem, Breno e Rosane
Conversas da vítima com amigas pelo WhatsApp mostram que a bancária temia pela própria vida. Na imagem, Breno e Rosane
Rosane Berteli temia que Breno Helton Costa Rezende fizesse alguma coisa além de ameaçá-la. É o que as mensagens trocadas entre a bancária, de 24 anos, com amigas pelo WhatsApp, dias antes de morrer, em setembro do ano passado, mostram. E ele fez: por não aceitar o fim do relacionamento, matou a ex-namorada com um tiro na cabeça, em um estacionamento localizado na área central de Franca.
 
As mensagens, anexadas na semana passada ao processo pelo qual o comerciante, de 32 anos, responde, mostram que a vítima, de 24 anos, temia pela própria vida. Às amigas, duas irmãs francanas, no dia 5 de setembro de 2015, ela relatou o sofrimento de romper com o comerciante por seu ciúme e comportamento. “Eu não quero isso para minha vida. Ele está me sufocando e não aguento. Só que vou ter de ser forte, gosto dele”, disse, no início de um dos diálogos.
 
Em meio às conversas, a bancária ainda afirmou que não ficava mais sozinha em casa nem sair porque Breno poderia aparecer a qualquer momento e fazer alguma coisa. “Tô numa briga aqui com o Breno, ele está vindo aqui em casa. Acho que não vai ter jeito de eu ir hoje”. Ela prosseguiu, para a outra irmã. “Eu vou ter de ficar de molho em casa por uns tempos”. A amiga convida Rosane para sair, que responde, temerosa. “Tem de ser um lugar que o Breno nem imagine. Ou em casa mesmo, será que não é melhor?”.
 
No dia 7 de setembro, um dia antes de ser assassinada pelo ex, Rosane teve nova conversa com as amigas. Uma delas pede para que tome cuidado, e a bancária conta que discutiu com a irmã de Breno por causa do término. “Ela disse que ele é problema meu, que não quer nem saber. Falei que tinha ligado para avisar para ajudarem ele e que agora vou tomar medidas com a Justiça então. Já chamei a polícia aqui, ele não chega perto senão vai ser preso”.
 
A outra amiga, que conversava com Rosane em horário semelhante, pediu para que ela tomasse cuidado com Breno, já que a bancária afirmou que até com taser (choque elétrico) estava andando dentro de sua bolsa. “Não fica sozinha por nada nesse mundo, por favor. Não brinca com isso”, aconselhou.
 
Ainda através das mensagens, Rosane transpareceu mais preocupação. “Fui na delegacia (Plantão Policial) para tomar todas as medidas de segurança. Aí amanhã (8 de setembro, dia de sua morte) vou lá na da mulher (DDM) porque hoje estava fechada”. Mas não deu tempo. A bancária foi morta antes mesmo de conseguir falar com a delegada Graciela Ambrósio e pedir medida protetiva para que Breno não se aproximasse e nada lhe fizesse.
 
O assassinato
No dia 8 de setembro de 2015, Rosane foi morta pelo ex-namorado, em um estacionamento na rua Doutor Júlio Cardoso, no Centro de Franca. Ele estaria inconformado com o fim do relacionamento e foi até o local onde Rosane guardava o carro para falar com ela mais uma vez, depois de ir ao banco Itaú outras quatro, durante o dia, na tentativa de reatar o namoro de um ano.
 
No endereço, segundo testemunhas ouvidas durante o inquérito policial, o comerciante e a vítima estavam conversando e, em dado momento, ele resolveu atirar. Imediatamente, entrou em seu carro e dirigiu até a rua Campos Salles. Lá, tentou se matar, dando um tiro em sua boca.
 
Breno foi socorrido até a Santa Casa e depois transferido para o Hospital Regional, onde ficou internado por 35 dias. Permaneceu por um mês no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Franca e, posteriormente, foi para o CHSP (Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário), no bairro Carandiru, em São Paulo. Lá, ficou até o dia 22 de fevereiro, quando teve a prisão preventiva convertida em domiciliar e voltou para Franca. Desde então, segue sob cuidados dos pais e da irmã, afirmando não se recordar do homicídio.
 

AS ÚLTIMAS CONVERSAS DE ROSANE
 
Confira os trechos das mensagens de WhatsApp acrescentados ao processo no qual Breno responde na Justiça
 
• Dia 5 de setembro de 2015
 
R: Então vo te q ficar super esperta com o Breno. Ele n quer aceitar q n quero mais. (...) Tô querendo ir pra Franca, mais morro de medo de fica sozinha, acredita??
 
A1: Ele nem te ligou hj?
 
R: ligou sim aquela hora só q eu disse pra ele não me procurar mais. E ligou outras vezes mais eu não atendi. Mais graças a Deus não veio aqui (...) Ixe quanto mais proteção melhor viu, não quero ficar n aguento isso mais credo 
 
A1: Eu imagino
 
R: Logo ele arruma outra se vai vê pq ele eh maior conquistador logo arruma outra doida q apaixona
 
A1: hahaha e te deixa em paz
 
 
• 7 de setembro de 2015, um dia antes do crime
 
R: se acredita que ele endoidou normal aí fui ligar pra avisar a irmã sabe ajudar a controlar ele lá, bem ela disse q não era problema deles é tal pra mim me virar com o Breno. Pirei, fia, xinguei ela tudo disse q o problema são deles sim, mais agora ele vai se explicar com a polícia se ele chegar perto vai preso. E aí coloquei a boca no mundo hj, fui na delegacia chamei a polícia de novo pq agente ficou amigo dos polícias e amanhã vou lá na delegada. Ele começou a falar alto sabe q não ia aceitar isso. Me xingou de tudo que é nome
 
A2: aff como não aceita... 
 
R: (...) disse que eu tinha q ter largado dele quando ele foi me procurar no estreito. Eu falei se eh loca  lá nem polícia tem, ia fazer o q correr risco de jeito nenhum
 
A2: (...) quando for sair sozinha se ficar com medo ou desconfiada de algo, liga pra mim ou qualquer pessoa e deixa ligado até chegar onde vai (...) Roh não fica sozinha por nada nesse mundo por favor. Não brinca com isso
 
 
*R:  ROSANE
*A1: AMIGA 1
*A2: AMIGA 2

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