É conhecido o relato bíblico segundo o qual o rei Salomão, numa atitude de grande sabedoria, para dirimir a dúvida, entre duas mulheres, qual seria a verdadeira mãe de uma criança, ordenou que esta fosse dividida ao meio e a cada uma das senhoras entregue uma metade. Eis que, no momento em que autorizou baixasse a espada sobre o corpinho inocente, a verdadeira mãe, num empenhado gesto salvador da vida do filho, suplicou ao rei que entregasse a criança à outra mulher. Convicto, agora, de qual era a verdadeira mãe, o sábio julgador ordenou que a criança lhe fosse entregue.
Este fato, além de revelar a sabedoria do rei diante da situação que alvitrava, realça o quanto o verdadeiro amor de mãe é capaz de renunciar.
A evocação do aludido relato bíblico tem seu propósito no fato que, conforme noticiário, verificou-se numa estrada que liga o Estado de São Paulo ao do Paraná.
Em acidente rodoviário, um veículo que transportava família colidiu com um caminhão, incendiando-se. Quando a mãe verificou que o casal não tinha condições de salvar-se das chamas, lançou pela janela do carro o filhinho, num gesto extremamente sacrificial.
Como será a vida daquela criança? Quem cuidará dela? As circunstâncias do momento não permitia cogitasse de mais nada que não fosse evitar que a criança também morresse carbonizada. Apenas salvar a vida do filhinho amado, eis tudo.
No seio da humanidade, no entanto, ainda há atitudes maternas que contrastam o comovente sentimento amoroso. Quantas mães, movidas por interesses escusos, por mera comodidade, por desamor e, não poucas vezes, por paixões irrefreáveis, desviam seus corações, sacrificando os próprios filhos, ignorando que maternidade é cumprimento de antigos compromissos espirituais?
À mulher que gera um filho cabe confiar em Deus, o Supremo doador da Vida e a quem compete decidir o que fazer com ela. Afinal, todos somos filhos dEle!
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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