Falta desapego aos nossos políticos


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Quando se pensava que a eleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a presidência da Câmara dos Deputados seria capaz de acabar com a verdadeira letargia que toma conta dos trabalhos parlamentares há cerca de oito meses, o brasileiro vê que continua à mercê dos interesses de uma classe política que pensa mais em seus interesses do que realmente importa para a Nação. O Legislativo federal, que tem mais de 170 parlamentares na mira das diversas operações que se processam contra a corrupção ainda não se conscientizou da importância de suas decisões para tirar o País do buraco em que se encontra. O desemprego continua crescendo, a inflação subindo e a atividade econômica em queda: este é o quadro que enfrentamos há mais de um ano, agravado pelas crises institucionais que desembocaram nos afastamentos da presidente Dilma Rousseff (PT) e do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), este determinado pelo STF (Supremo Tribunal do Trabalho).
 
Vivemos um momento em que o Brasil cobra respostas a problemas graves, situação que os parlamentares aparentemente relevam. Apesar de um impedimento constitucional, o Congresso Nacional inicia na próxima segunda-feira, 18, um período de recesso branco, no qual constam da agenda apenas sessões de debates, sem deliberações, o que na prática significa férias informais para senadores e deputados. A Constituição prevê o recesso parlamentar nas últimas duas semanas de julho até 1º de agosto, mas impede que ele seja gozado caso a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) do ano subsequente não tenha sido votada antes de 17 de julho. E tal não aconteceu. Isso não impediu, no entanto, que o Senado e a Câmara decidissem iniciar o recesso branco.
 
Com isso, na Câmara, projetos de grande importância para o governo do presidente interino Michel Temer (PMDB) terão que aguardar até o retorno dos deputados, em agosto. Entre essas matérias estão o projeto de lei que renegocia a dívida dos Estados com a União e o que desobriga a Petrobras de participar de todos os projetos do pré-sal. O governo aguarda ainda com ansiedade a votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que estipula um teto para os gastos públicos. Ficou para agosto também a votação sobre o pedido de cassação do mandato do deputado afastado Eduardo Cunha. Como se pode ver, as demandas coletivas, que interessam a todo um País, continuam relegadas a segundo plano diante dos interesses pessoais dos parlamentares. E, mais uma vez, teremos que esperar a vontade de nossos representantes eleitos para trabalhar com mais afinco para fazer o Brasil voltar a andar. 
 
 
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