Celebrações religiosas marcam enterro de padre Dé


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Padre Dé foi enterrado, sob forte emoção dos amigos e familiares que rezaram, cantaram e o aplaudiram, no Santo Agostinho
Padre Dé foi enterrado, sob forte emoção dos amigos e familiares que rezaram, cantaram e o aplaudiram, no Santo Agostinho
Após um velório com direito a duas missas de corpo presente, foi enterrado na tarde de ontem, 15, no Cemitério Santo Agostinho, o padre José Afonso Dé, 81. Padre emérito da Diocese de Franca, ele estava afastado de suas funções eclesiásticas desde março de 2010, quando vieram à tona as acusações de abuso sexual contra adolescentes que frequentavam sua casa e as missas na Paróquia São Vicente de Paulo, no Jardim Tropical.
 
Padre Dé, como era conhecido, estava em Franca desde o começo da década de 1990. Nos últimos anos, após ter a vida marcada pelas acusações de pedofilia, vivia recluso e necessitava de ajuda para se locomover. Doente, estava internado há mais de 30 dias na Santa Casa de Franca onde morreu na tarde de quinta-feira, após a evolução de um quadro de infecção urinária.
 
Nas poucas aparições públicas, após a divulgação do caso, padre Dé sempre se disse inocente e declarava ser mal interpretado.
 
O velório começou ainda na noite de quinta-feira, na capela São Francisco, no interior do Velório São Vicente. Paroquianos e conhecidos do padre, que mesmo após a repercussão do caso continuou tendo admiradores, se revezaram ao longo da noite e do dia para prestarem as últimas homenagens. Quinze coroas de flores foram enviadas por comunidades e amigos do padre, que após as denúncias acabou condenado a 60 anos de prisão pelos crimes de estupro e atentado violento ao pudor. De nove acusações, ele acabou absolvido em sete e aguardava o julgamento das demais em liberdade.
 
Ontem, por volta das 10 horas, aconteceu a primeira missa, celebrada pelo padre Idair Perina, pároco da Igreja São Vicente e amigo pessoal de padre Dé. Durante a missa, o caixão com o corpo do religioso foi colocado no chão e voltado para o altar em sinal de humildade. O prefeito Alexandre Ferreira e a primeira-dama Cynthia Milhim Ferreira participaram, emocionados. Cynthia foi advogada de defesa do padre quando as denúncias surgiram.
 
No começo da tarde, nova missa foi realizada, dessa vez presidida pelo monsenhor José Geraldo Segantin, pároco da Catedral, em nome do bispo diocesano Dom Paulo Roberto Beloto, que estava fora pregando um retiro. A celebração contou com a presença de mais de 20 padres e muitas pessoas acompanharam do lado de fora. Em sua homilia, Segantin destacou as virtudes de Dé, seu trabalho pastoral e a formação dada há mais de 20 seminaristas. Ele era ordenado há 47 anos.
 
Padre Dé foi enterrado às 16 horas, com trabalhos da funerária Tedesco, e sob forte emoção dos amigos e familiares que rezaram, cantaram e o aplaudiram em seu sepultamento, no cemitério Santo Agostinho.
 
 

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