Morreu Miguel Sábio de Mello Neto


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Miguel Sábio de Mello Neto foi sepultado ontem, no Cemitério da Saudade
Miguel Sábio de Mello Neto foi sepultado ontem, no Cemitério da Saudade
Morreu às 7h30 de ontem, 15 de julho, o industrial calçadista francano Miguel Sábio de Mello Neto. Tinha 55 anos. Segundo informações do médico que atestou o óbito, Miguel, após tomar o café da manhã, por volta de sete horas, em seu endereço residencial, atirou-se do andar mais elevado do prédio, à morte.
 
Era filho do também industrial de calçados Oswaldo (Vadinho) Sábio de Mello, já falecido, e dona Zariffe Bittar de Mello. Do enlace, Miguel Neto teve três irmãos, Alexandre, falecido; Wlamir, e Oswaldo Filho, Gotcha. Casou-se duas vezes, a primeira, com Raquel Ribeiro, com quem teve três filhas, Gabriela, Isabela, casada com Ricardo; e Ana Paula, casada com Daniel Spessotto. Divorciado, casou-se com Ana Paula Fava Ferreira. Do enlace, o filho Miguel Ferreira Sábio de Mello. Foi avô de um neto, João, do casamento da filha Ana Paula.
 
Miguel estava presidente de Calçados Samello, uma das marcas de calçados mais lembradas do mundo, empresa construída por seu avô, Miguel Sábio de Mello e tornada mundial por seu tio, Wilson Sábio de Mello, com a participação de outros irmãos.
 
Aos doze anos, iniciou caminhada na empresa, tutoriado pelo pai, Vadinho, que comandava a área de desenvolvimento de modelagens e exportação do grupo. Iniciou pelo ‘chão da fábrica’, como se diz no setor, para compreender cada passo da produção calçadista. Tomou gosto. De uma forma ou de outra, esteve participando, dai em diante, dos mais variados departamentos da empresa.
 
Em 2006, a empresa familiar que se tornou sinônimo de calçado masculino, criadora dos calçados docksides que a fizeram conhecida na maioria dos países, parava suas máquinas, apenada por pesada dívida, recuo de pedidos, período final de negócios de exportação que responderam, em certa época, por 65% do faturamento.
 
Miguel não pensou duas vezes. Assumiu a empresa, disposto a recuperá-la. Tinha 41 anos. Declarou ao Comércio da Franca, na época, ‘que a Samello iria continuar’. No mesmo ano, declarou à revista Isto É Dinheiro, que a situação que tinha encontrado, ‘era a pior dos 80 anos da história da Samello’. 
 
Foram catorze anos de trabalho diuturno, extremada pressão, algumas vitórias e várias derrotas. Miguel enfrentaria também a competição massacrante dos baratíssimos calçados chineses, a valorização do real perante o dólar e, sobretudo, crises econômicas sequentes no Brasil e no mundo.
 
Certamente Miguel se sentiu impotente, derrotado. Um seu amigo de muitos anos, que pediu anonimato, disse que ele estava muito deprimido, insatisfeito consigo mesmo. ‘Era trabalhador, dedicado, atento aos movimentos de mercado. Nasceu para ser líder. A recuperação da empresa tomou cada segundo de sua vida nos últimos anos. Queria encontrar um novo norte, manter viva a chama da marca. Podia-se vê-lo, pessoalmente, ano após ano, participando de cada oportunidade de negócio que detectasse mas, os resultados nunca mais foram os mesmos. Nós o perdemos para o desafio que quis empreender e do qual não arredou mão’. 
 
Em seu velório, ouviam-se palavras que traçaram o perfil do homem e do empresário cuja morte enlutou Franca, a cidade do calçado: ‘bom pai’, ‘suas filhas eram ‘doentes’ por ele’; ‘benemérito, não descansava enquanto não atendesse pedidos que lhe faziam’, ‘estafado’, ‘preocupadíssimo’, ‘amigo de seus amigos’, ‘despreendido’, ‘à beira de um colapso’.
 
Seu velório aconteceu no São Vicente de Paulo. Sepultamento, com serviços da Funerária Nova Franca, foi realizado às 17 horas de ontem, dia 15, no túmulo da família no Cemitério da Saudade.

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