Economia continua andando para trás


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Quem acompanha o noticiário econômico já percebeu há muito que não só especialistas, mas também o Comércio vinham apontando antes mesmo do afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT) e da posse do interino Michel Temer (PMDB): embora fosse factível, a substituição do ocupante do Planalto, por si só, não seria suficiente para que o Brasil transpusesse a crise que ainda persiste. Os quase seis anos do governo da hoje presidente afastada conseguiram enterrar todos os avanços obtidos nos dois mandatos de Luís Inácio Lula da Silva (PT) e colocou o País num buraco que será difícil tapar em médio prazo, caso os nossos representantes eleitos não se conscientizem de que não será possível avançar mais no bolso do brasileiro para quitar a fatura amarga deixada por Dilma e sua ineficiente equipe econômica.
 
A atividade econômica brasileira continua andando para trás, o que afeta o setor produtivo, impactando no mercado de trabalho. Inflação, desemprego e instabilidade se destacam no quadro que o Brasil vive hoje. De acordo com dados divulgados pelo Banco Central ontem, a atividade econômica brasileira recuou 0,51% em maio em relação a abril. Em abril, o indicador do BC havia ficado estagnado na comparação com março, após acumular 15 quedas seguidas. O resultado veio pior que o centro de expectativas de economistas ouvidos pela agência Bloomberg, que apontavam recuo de 0,20% na comparação mensal. No ano, o IBC-Br acumula retração de 6,26%, enquanto que em 12 meses o recuo é levemente menor, de 5,51%.
 
Para buscar a retomada do crescimento e reduzir o déficit nas contas públicas, Temer e sua equipe até agora apontaram soluções que exigem ainda mais sacrifício do contribuinte: criação de novos tributos, reforma na Previdência e um ajuste fiscal idêntico ao que Dilma Rousseff tentou, mas não conseguiu aprovar no Congresso. O pior de tudo é que as ações do governo federal e dos nossos representantes eleitos vão na contramão de tudo o que se espera. Até agora, poucos meses desde a condução de Michel Temer ao Palácio do Planalto, só foram aprovados reajustes de salários para o Poder Judiciário e para uma série de categorias do serviço público. Num momento em que se pede ao trabalhador que aceite a redução dos salários e da jornada para manter o emprego, a farra com os gastos públicos é mantida, na contramão de tudo o que se espera numa situação como a atual. Só mesmo um pacto total pela redução das despesas públicas será capaz de começar a reverter a retração de nossa economia. É preciso que, desta vez, as autoridades públicas comecem a cortar na própria carne. Senão, não se chegará a lugar algum.
 
 
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