Corpo de Padre Dé está sendo velado na Capela São Francisco


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O corpo do padre José Afonso Dé, de 81 anos, está sendo velado na capela São Francisco, anexa ao velório São Vicente de Paulo
O corpo do padre José Afonso Dé, de 81 anos, está sendo velado na capela São Francisco, anexa ao velório São Vicente de Paulo
Morreu na tarde de ontem, 14, na UTI da Santa Casa de Franca, o padre José Afonso Dé, 81. Ele estava internado há 40 dias em decorrência de uma infecção urinária que se agravou. Recentemente, ele também havia tratado de uma pneumonia e de um câncer na próstata. O sepultamento está previsto para a tarde de hoje, 15, no Cemitério Santo Agostinho. Antes, às 14 horas, haverá uma missa de corpo presente na Capela São Francisco, no interior do Velório São Vicente.
 
Padre Dé, como era chamado, era um dos mais conhecidos religiosos de Franca, de todos os tempos. Mas sua vida ficou marcada por acusações de pedofilia. Em março de 2010, foi acusado de abuso sexual contra adolescentes que frequentavam sua casa e as missas na Paróquia São Vicente de Paulo, no Jardim Tropical. O caso repercutiu internacionalmente e, em janeiro deste ano, chegou a ser citado no filme Spotlight - Segredos Revelados, vencedor de um Oscar.
 
Condenado a 60 anos de prisão pelos crimes de estupro e atentado violento ao pudor, padre Dé, que sempre negou os crimes, nunca foi preso. Ele recorreu e acabou absolvido em sete das nove acusações. Ele também não indenizou as vítimas e sequer pediu perdão pelos seus atos. 
 
Em fevereiro, após a divulgação do filme, o advogado de defesa do padre, José Chiachiri Neto, chegou a confirmar a possibilidade de seu cliente pedir indenização aos produtores americanos pelo fato de tê-lo exposto na lista da vergonha. No filme, que conta a história de uma equipe de jornalistas que investiga os abusos cometidos por 70 padres de Boston (cidade americana), o caso de Franca foi citado ao final da exibição. Na lista com diversas cidades do mundo com registros de escândalo de pedofilia envolvendo padres, também apareceram os municípios brasileiros de Arapiraca (AL), Mariana (MG) e Rio de Janeiro (RJ).
 
Afastado de suas funções na igreja, à época pelo então bispo Dom Pedro Luiz Stringhini, o religioso vivia recluso em uma casa, porém, ainda possuía diversos admiradores. Realizava missas fechadas e atendia alguns fiéis com orientações. Antes das denúncias explodirem, padre Dé trabalhava como vigário da Paróquia São Vicente. Entre seus trabalhos, estava a criação de uma capela de bambus e a montagem de uma escola de doméstica. Ele era padre desde 1969.
 
Em nota, a Diocese de Franca lamentou sua morte e pediu a oração de todos em favor de sua alma. O comunicado também informou o local do velório e do sepultamento. O advogado do padre também lamentou a morte e disse que ele era “um homem franco, direto e puro”. “Receberá da justiça divina o tratamento devido que, talvez, tenha lhe faltado no mundo dos homens”, disse.
 
Investigação
O caso padre Dé foi divulgado com exclusividade pelo Comércio da Franca, em março de 2010. Desde então, um extenso trabalho de investigação começou a ser realizado pelo jornal. Na ocasião, antes mesmo de ser indiciado por estupro pela delegada Graciela de Lourdes David Ambrósio, os repórteres e fotógrafos do GCN foram investigar mais sobre o passado do sacerdote nas principais cidades onde ele morou. Em duas viagens para quatro destinos distintos (Apucarana e Curitiba, no Paraná, e Iturama e São Sebastião do Pontal, em Minas Gerais), as equipes percorreram quase três mil quilômetros para encontrar novas histórias e contextos sobre o caso.
 

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