Avanço da Aids ainda preocupa


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Os países menos desenvolvidos, entre os quais o Brasil se insere, às voltas com uma série de moléstias e epidemias, têm que direcionar suas atenções a uma velha conhecida, a Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), que surgiu de forma devastadora nos anos 80 mas, diante dos avanços da Medicina, hoje pode ser controlada com uma série de medicamentos conhecidos por retrovirais. A sentença de morte ao paciente diagnosticado como HIV positivo foi substituída pela esperança que milhões de infectados hoje carregam, em razão da possibilidade de uma vida normal com o uso de medicação distribuída pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O uso de métodos de segurança, como o uso de preservativos, permite ao portador do HIV impedir o avanço da doença aos parceiros.
 
Mesmo assim, a questão da doença volta a preocupar as autoridades médicas. O número de pessoas infectadas pelo vírus da Aids volta a subir no Brasil, enquanto a UNAids — agência da ONU (Organização das Nações Unidas) para combater a doença — alerta que os avanços pelo mundo nos primeiros dez anos do século 21 perderam força. Dados publicados ontem pela entidade revelam que, se cerca de 43 mil novos casos eram registrados no Brasil em 2010, a taxa em 2015 subiu para 44 mil. Em termos globais, a agência aponta que o número de novas infecções pelo mundo caiu apenas de forma modesta, de 2,2 milhões em 2010 para 2,1 milhões em 2015. Entre os adultos, ela se manteve inalterada em cerca de 1,9 milhão. O Brasil e a América Latina, porém, caminharam em uma direção oposta. Hoje, são 36,7 milhões de pessoas vivendo com a doença pelo mundo e com 1,1 milhão de mortes. 
 
No Brasil, apenas 6% do orçamento contra a Aids seria usado para programas de prevenção. Menos de 70% das pessoas usando drogas injetáveis indicaram que usam preservativos. Entre 50% e 75% dos gays afirmaram que estavam usando preservativos de forma regular. No total, a população vivendo com Aids no Brasil passou de 700 mil para 830 mil entre 2010 e 2015, com 15 mil mortes por ano. Na América Central, as taxas de aumento foram de quase 20% em países como Belize, Nicarágua e Guatemala. No México, a alta foi de 8%, contra 5% na Colômbia e 4% no Brasil. Em pelo menos dez países latino-americanos, porém, houve queda no número de novos casos, incluindo Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela. No Brasil, dos 830 mil pessoas vivendo com a doença, 452 mil estariam recebendo a terapia, cerca de 55%. Em termos gerais, o Brasil gastaria cerca de US$ 800 milhões com o combate à aids, segundo dados de 2014. Como se pode ver, o combate à Aids foi negligenciado por aqui e já acende o ‘sinal vermelho’ das autoridades.
 
 
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