Sobreviventes reencontram 'anjos' que os salvaram


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Avó e neto reencontram o policial militar e a dona de casa que participaram do resgate no dia do acidente, em junho de 2012
Avó e neto reencontram o policial militar e a dona de casa que participaram do resgate no dia do acidente, em junho de 2012
Os olhos marejados e o coração transbordando. Foi assim, com um misto de alegria e sofrimento, que avó e neto, sobreviventes do acidente que ficou conhecido como a tragédia do córrego Cubatão, se reencontraram, na última sexta-feira, 8, com dois dos principais personagens daquele que se tornaria o capítulo mais marcante de suas vidas. 
 
Em uma casa simples, de paredes amarelas e portão vermelho, no Jardim Aeroporto II, a aposentada Maria de Lourdes Bruno Dominciano, 75, que até hoje sofre com as sequelas que o acidente deixou em sua perna, e William Dominciano Moreira, 31, que ainda convive com a dor de não ter conseguido salvar o avô, Adelino Dominciano, na época com 78 anos, e a prima, Sara Dominciano, 15, reviram, pela primeira vez, o soldado Murilo, 37, e a dona de casa Ângela Maria Barbosa, 37, responsáveis por ajudar a salvar suas vidas naquele trágico 8 de junho de 2012.
 
Mesmo debilitada e sem poder se movimentar com muita facilidade, a aposentada recebeu os dois com abraços apertados e lágrimas de gratidão. Em meio à felicidade de reencontrar pessoas que participaram efetivamente do resgate, lembranças do acidente se misturavam com os sorrisos e foi inevitável conter a emoção.
 
“Em meio a tanta tristeza e sofrimento, por perder meu marido e minha neta, hoje reencontrá-los me trouxe alegria. Estou contente em poder abraçar e agradecer aqueles que nos ajudaram em um momento tão difícil. Não é fácil a perda, mas foi uma vitória de Deus sobreviver e eles foram os anjos enviados por Ele”, disse, em meio as lágrimas, Maria de Lourdes. 
 
Trabalhando na Divisão de Trânsito da Polícia Militar, o soldado Murilo foi um dos responsáveis por retirar de dentro do carro a aposentada que estava com a perna presa nas ferragens. 
 
“Todos fomos acionados naquele dia para ajudar no resgate. Cheguei e, mesmo sem todos os equipamentos necessários, consegui, com a ajuda de um bombeiro, resgatar a senhora que estava com a perna bastante machucada.” 
 
“Essas são situações que nos marcam profundamente. No dia, infelizmente, não conseguimos salvar o senhor e a neta, e isso nos marca muito. Sei que a dor existe, mas é preciso reforçar que os que ficaram são presentes de Deus na vida de seus familiares e celebrar essas vidas”, completou, emocionado, o soldado Murilo. 
 
Na época trabalhando em uma loja localizada perto de onde o carro caiu no córrego Cubatão, Ângela ajudou no resgate de William e, desde então, o considera como alguém da família.
 
“Quando vi o carro no córrego, corri para ajudar, junto com um homem. No momento, a única coisa que conseguia pensar era em ajudar. Aqueles momentos marcaram a vida de cada um aqui, e hoje sinto como se eles fossem da minha família. Apesar de tudo, dos perigos, sei que se hoje passasse por algo parecido, eu teria a mesma atitude”, disse Ângela, que fazia aniversário no dia do reencontro - última sexta-feira - e considerou um verdadeiro presente a oportunidade de rever avó e neto. 
 
“Lembro todos os dias da minha avó orando incansavelmente e minha prima pedindo para não morrer. Tentei de todas as formas ajudar, mas como machuquei o ombro, foi impossível. A Ângela foi um anjo enviado por Deus e sei, que mesmo com o sofrimento e a dor da perda, precisamos ter força. Esse momento, reencontrar essas pessoas que hoje fazem parte da minha história, é uma força para continuar a caminhada. E tenho certeza, quando Deus cruzou os nossos caminhos, mesmo naquele momento tão difícil, que Ele tinha um motivo especial”, finalizou William Dominciano. 

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