Como é que se avalia a civilidade de alguém? Penso que por sua conduta e fala diante de situações cotidianas, principalmente nas adversas e polarizadas.
Manter o controle nessas situações exige desenvolvimento emocional e racional; e não é fácil, mas é necessário.
Animais irracionais agem por instinto. O humano não civilizado, também. Quanto mais desenvolvido o humano, mais evoluídas são condutas, atos, gestos e palavras.
É comum pessoas se sentirem agredidas ao se depararem com amistosos, reflexivos, não agressivos. Sentem-se assim justamente por esperarem das outras, a mesma postura que têm. Julgam os sem agressividade, covardes, frouxos. Já para quem é amistoso, quem age com agressividade é covarde, medroso, e agem assim para não revelarem fraquezas.
Concordo com a enfermeira australiana Elizabeth Kenny, que revolucionou o tratamento de poliomielite. É dela a sábaia frase ‘quem te irrita, te domina’.
Pergunto a você, que me lê: como é que você se porta diante da adversidade? Tem sido agressivo com o outro? Sente-se ameaçado ou irritado a ponto de perder o controle? Penso que seja tudo isso, já que somos humanos! Irritação tem ligação com o limite da aceitação, da tolerância, em não admitir a ‘verdade’ do outro.
Partir ‘para a ignorância’ é sinal que perdemos o controle, a razão, e nos deixamos conduzir pela emoção, ou por não saber lidar com ela.
O homem é o único animal dotado de linguagem; e a linguagem é o maior sinal de civilidade. É por meio dela que revelamos quem somos, como agimos e pensamos.
Quando falta espaço para a palavra, abre-se espaço para a agressão. Seres civilizados argumentam, persuadem, convencem pela palavra, não pela agressão física.
‘Conquistas’ alcançadas por meio de agressão física não produzem paz alguma.
Paz e resolução de conflitos devem ser alcançadas pelo diálogo, por posturas nas quais todos ganhem.
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário
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