Trocando seis por meia dúzia


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As grandes manifestações pela democracia, há três anos, cobravam prioritariamente ética na política. De lá para cá se viu que as falcatruas e roubalheiras não tinham freio, colocando sob suspeita grande parte dos políticos brasileiros. A maioria dos integrantes do Congresso Nacional está na mira das diversas investigações contra a corrupção levadas a efeito no País, muitos deles alvos de processos na mais alta instância da Justiça no País, o STF (Supremo Tribunal Federal). Neste meio tempo, os afastamentos da presidente Dilma Rousseff (PT) e do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), colocaram o Brasil em clima de suspense, à espera de um ponto final para os processos de cassação que ambos respondem. Na sequência, muitos nomes graúdos também podem cair, na Câmara e no Senado.
 
Depois que o presidente em exercício Michel Temer (PMDB) precisou afastar três ministros a poucos dias da posse, por causa de denúncias graves, a sucessão na Câmara dos Deputados já começa sob suspeição. Dos seis candidatos favoritos, quatro enfrentam algum tipo de processo judicial, um foi citado na Operação Lava Jato e o sexto não responde mais a ações porque os crimes dos quais era acusado prescreveram. Entre os que ainda respondem, há acusações como peculato (desvios de recursos públicos) e até por submeter empregados a condições de trabalho análogas à escravidão. A eleição do próximo presidente da Câmara, prevista para a quarta-feira, vai definir uma figura central para os próximos passos do governo. Além de ser o primeiro na linha sucessória do presidente em exercício Michel Temer, o substituto de Cunha terá poder para acelerar ou atrapalhar o processo de cassação do peemedebista e as votações de projetos importantes para o ajuste fiscal do governo.
 
Entre os mais cotados na disputa e possível candidato do Centrão (bloco que reúne 13 partidos), o deputado Rogério Rosso (PSD-DF) é investigado por peculato e já foi indiciado por corrupção. Ele é apontado como favorito. O possível adversário direto de Rosso, Beto Mansur (PRB-SP), primeiro-secretário da Câmara, é o que tem a maior lista de pendências judiciais. Ele já foi condenado e responde a um processo por exploração de trabalho análogo à escravidão em uma fazenda no interior de Goiás. E há ainda outros processos envolvendo improbidade administrativa e dano ambiental. Estes são apenas dois casos exemplares da situação de nossos legisladores: na Câmara, corre-se o risco de trocar seis por meia dúzia. Enquanto o brasileiro não procurar conhecer a fundo seus representantes, continuaremos à mercê de corruptos e corruptores, mesmo que a Justiça faça a sua parte.
 
 
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