Os candidatos que concorrerem a vagas nas próximas eleições terão que aliar criatividade, economia e poder de convencimento para conseguirem realizar uma campanha eficiente. Com a Reforma Eleitoral de 2015, os candidatos aos cargos de prefeito e vereador terão de obedecer limites de gastos durante a campanha eleitoral. Não bastasse a imposição do teto, as mudanças também vão secar as torneiras por onde jorravam doações.
Até 2014, quem dizia o limite de gasto na campanha era o partido. Agora, caberá ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) regulamentar o que o candidato poderá gastar. O teto máximo das despesas foi definido com base nos maiores gastos declarados nas eleições de 2012.
No primeiro turno do pleito deste ano, o limite será de 70% do maior gasto declarado para o cargo de prefeito ou vereador nas cidades em que houve apenas um turno. Nos locais onde houve dois turnos, como é o caso de Franca, o limite para prefeitáveis será de 50%, enquanto de vereador será de 70%.
A campanha de Gilson Pelizaro, então candidato a prefeito pelo PT, foi a mais cara em 2012 e balizará os valores este ano. O petista informou à Justiça Eleitoral ter gastado R$ 544 mil. Portanto, a metade do valor, R$ 271,6 mil, será o limite que os candidatos poderão gastar agora. Na disputa para vereador, Valéria Marson (então no PSDB) foi a que declarou os maiores valores: R$ 62,7 mil. Os candidatos a vereador, portanto, vão poder gastar, no máximo, R$ 43,9 mil, ou seja, 70% dos gastos de Valéria há quatro anos. “A doação por parte de empresas privadas, que sempre responderam pela maior parte das arrecadações, também está proibida. Os candidatos só podem receber doações de pessoas físicas, do fundo partidário e usar recursos próprios”, lembra o advogado Denílson Carvalho.
As limitações,somadas ao pânico que a Operação Laja Jato causou em financiadores de campanhas eleitorais, vão impactar na disputa e obrigar os candidatos a “se virarem nos 30”. “Estamos fazendo o planejamento, mas vamos cortar gastos desnecessários. Vou solicitar ajuda a amigos, mas, se não conseguir, usarei recursos próprios. Como não preciso ficar falando demais, vou fazer uma campanha simples. Se dinheiro ganhasse eleição, eu nunca teria sido eleito”, disse Sidnei Rocha, pré-candidato do PSDB.
João Rocha, pré-candidato do PDT, disse que o teto de gastos não preocupa. “Agiremos dentro da legalidade. Vamos mostrar que tem jeito de fazer, não só a campanha, mas também administrar a cidade, sem roubo e sem traquinagem. As pessoas querem somar e nos ajudar dentro dos limites da lei”.
Marco Aurélio Ubiali, pré-candidato do PSB, afirmou que pretende gastar menos do que o autorizado pelo TSE. “Vamos nos limitar ao que for legal. Será uma campanha curta e mais simples”.
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