Há 49 anos, em um 9 de julho, era inaugurado o Hospital Regional de Franca. Foi a concretização do sonho de um grupo de médicos francanos que havia passado seis anos investindo na construção de um ideal: um atendimento de saúde melhor e mais humano para a população da cidade. O Hospital Regional cresceu e se consolidou como um dos melhores do Estado de São Paulo. São mais de 130 médicos e mais de 40 mil vidas asseguradas.
No comando desde 2014, está o ortopedista Chafi Facuri Neto. Ele é neto de um dos fundadores do hospital e fala da empresa como se fosse parte de sua família. Há dois anos e três meses ocupando o cargo de diretor-presidente, eleito por aclamação, Chafi disse que fez mais do que esperava, mas que ainda há muito a desenvolver. “Implantamos o Centro de Imagem Digital, que foi uma revolução, modernizamos os equipamentos do centro cirúrgico, trocamos a frota de veículos. Mas ainda temos planos a cumprir. Devemos comprar um novo tomógrafo e substituir todo o mobiliário da internação”, disse.
Outra meta é ampliar os atendimentos na área de medicina preventiva. “Já implantamos o Centro de Especialidades e queremos ampliar nosso atendimento de prevenção não só para evitar o agravamento de doenças, mas, principalmente, para melhorar a qualidade de vida dos nossos segurados”.
Em uma sala de reuniões na manhã da última sexta-feira, Chafi deu um tempo nos preparativos da festa do aniversário de 49 anos, marcada para ontem, para falar sobre suas conquistas e sobre o futuro.
O senhor está completando pouco mais de dois anos no comando do Hospital Regional. Qual a avaliação que o senhor faz de sua administração?
Engraçado você me perguntar isso... Esses dias eu estava pensando sozinho sobre isso. Acho que conseguimos fazer até mais do que esperávamos para um período que eu considero curto ainda. Dois anos é pouco para o montante de coisas que fizemos em termos de investimento e reestruturação da instituição. Mas ainda continuamos com um monte de planos e projetos a serem colocados em prática, um a um. Hoje, nossos usuários, nossos médicos e nossos colaboradores percebem que temos um hospital completamente diferente de dois anos atrás, principalmente, em termos de estrutura.
Qual a maior conquista neste período?
Acho que posso dizer que é o Centro de Imagens Digital. Ele foi inteirinho reformulado, tanto do ponto de vista físico como tecnológico e ainda não paramos. Estamos fazendo toda a parte de atualização dos aparelhos, agora colocamos os resultados disponíveis pela internet para que não seja necessária a busca aqui no hospital. Também compramos aparelhos para densitometria óssea, para mamografia e estamos fazendo os primeiros estudos para substituir nosso tomógrafo por um de última geração. Nós também construímos o Centro de Especialidades, que já está funcionando. Dentro de um ou dois meses, devemos inaugurar a ala de endoscopia e colonoscopia próprias. A fachada do hospital está sendo inteiramente pintada. Trocamos toda a frota de veículos e ainda adquirimos os laboratórios. Isso sem falar nos investimentos em medicina preventiva.
O senhor disse que conseguiu avanços em muitas áreas e que hoje o hospital está bem diferente do passado. Mas, houve algo que gostaria de ter feito e que ainda não conseguiu?
Nada. É como eu disse, quando paro para pensar a respeito, acho que fizemos mais do que esperávamos. Mas aqui o trabalho não pára nunca. Sempre que acabamos um projeto já temos outro em vista. Estamos sempre buscando melhorias para os nossos usuários e colaboradores. E a medicina também exige que a gente esteja sempre em processo de modernização. No Regional, não nos temos distribuição de lucros entre os donos. Usamos o que ganhamos para reinvestir no próprio hospital e vamos fazendo as melhorias conforme nosso caixa.
Neste domingo, o Hospital Regional completa 49 anos de fundação. Qual o segredo do Regional para sobreviver num mercado tão difícil quanto o de saúde?
Nosso grande segredo é a humanização do atendimento. Essa é a nossa maior marca. O relacionamento dos nossos médicos com os nossos clientes vai muito além da relação profissional. A maioria dos nossos pacientes conhecem os médicos desde pequenos porque são famílias que já se tratam com a gente desde a época da fundação. São gerações alimentando essa relação, esse laço de afeto. Outro fato que acho que contribui muito para a nossa qualidade é que a maioria dos médicos gosta de trabalhar no Regional. Vê o hospital como uma extensão de sua família. Trabalha com prazer e acaba demonstrando isso. Além disso, a administração profissional também tem uma importância fundamental. Os médicos não têm mais condição de serem administradores. Então, você tem que ter em cada área um profissional para nos ajudar a gerir. Todos os médicos que trabalham aqui são donos com laços de seus antecedentes que foram fundadores deste hospital junto com a sociedade francana. Quando usamos a expressão “família Regional” é porque é assim que nos sentimos, como uma grande família mesmo. Isso acaba se refletindo na cultura de atendimento e de acolhimento do próprio hospital. Não temos dois ou três donos. Somos em 150 donos.
Mas o fato de serem tantos donos não atrapalha na hora de tomar decisões, principalmente, em um mundo em que os negócios andam em uma velocidade maior e precisam de respostas mais rápidas?
Mas houve uma mudança até na nossa maneira de encarar o fato de sermos donos. Antigamente era comum ouvirmos “Não, mas eu sou dono aqui também”. Hoje isso não existe. Os médicos entenderam que para a gente poder crescer e evoluir não poderíamos ter 150 pessoas chefiando. Esse papel cabe à diretoria que foi eleita pelo voto da maioria. O que é decidido pela diretoria é acatado sem problemas pelos profissionais. Não temos problemas neste sentido.
Atualmente, o país enfrenta uma de suas piores crises financeiras, com muitas empresas fechando as portas ou demitindo funcionários. Como a crise afetou o Hospital Regional? E como estão as finanças?
A crise financeira que o país vem é avassaladora. Não há como negar. No mercado de saúde, em termos nacionais, a perda de usuários nos planos chega a quase 15%. Mas de maneira surpreendente, neste um ano e meio, nós não perdemos vidas asseguradas. Claro que a inadimplência cresceu, obviamente por causa da crise, mas as famílias não abriram mão de manter o plano do Regional. O que percebemos é que as famílias tentam de todas as formas manter o convênio médico até porque a área de saúde municipal na cidade é bem complicada, então, a pessoa deixa o plano de saúde para ser a última coisa a ser cortada. Então, tivemos reflexos na inadimplência, mas nada que coloque em risco nossas finanças. Estamos com as contas extremamente controladas. Temos, claro, um hospital enxuto, mas tudo é muito bem calculado. Nossa situação financeira é completamente sólida.
Há alguns anos, o Regional tentou uma fusão com a Unimed que acabou barrada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Ainda está nos planos de vocês se unirem a outras empresas na área de saúde?
Desde que assumi a presidência, em 2014, nunca procuramos nenhum grupo ou empresa do ramo para tentar fechar parcerias. Não estamos à venda e não temos nenhum tipo de negociação com quem quer que seja. Claro que a gente sempre recebe um assédio grande de investidores e intermediários de grandes redes, porque a tendência do mercado nacional e mundial é cada vez mais ter aglomerações de empresas, com fusões, incorporações e aquisições. O mercado está se afunilando. Como nossa situação financeira é muito boa e nós temos um nome forte na cidade, sempre tem interessados em conversar. Mas a grande maioria, nem chego a receber e conversar. Não é nossa meta. Não está nos nossos planos.
Quando o senhor assumiu a presidência falava muito sobre a necessidade de reestruturação e modernização do hospital. Quais são os planos do Regional?
Ainda tenho nove meses de mandato, então, meus planos são fazer a pintura interna de todo o hospital. Queremos também melhorar a hotelaria, fazendo a substituição de todo mobiliário e talvez consiga concretizar nos próximos meses a compra de um novo tomógrafo.
Em termos de valores, quanto somariam esses investimentos?
Difícil estimar, mas são altos. Para se ter uma ideia, um novo tomógrafo custa mais de R$ 1 milhão e os mobiliários da hotelaria são ainda mais caros que isso. Então, não tenho como dizer um valor.
Em abril, o hospital terá novas eleições. O senhor pretende se candidatar à reeleição?
Sinceramente ainda não pensei sobre isso. Estou focado em terminar meu atual mandato e concluir os projetos em andamento. Essa é uma escolha que farei só mais tarde, quando as eleições estiverem mais próximas.
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