Por que Lula está tão quieto?


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Depois de ver o seu nome envolvido nas investigações da Lava Jato, sendo inclusive objeto de condução coercitiva para prestar declarações na Polícia Federal, após o afastamento de sua sucessora (e pupila) Dilma Rousseff (PT), o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva mudou completamente a estratégia. Quando seu nome começou a aparecer ligado ao tríplex no Guarujá e à chácara em Atibaia, dos quais afirma não ser proprietário, e ao recebimento de dinheiro desviado de estatais como pagamento de palestras, Lula tentou rebater todas as denúncias, culminando com a tentativa de Dilma em fazê-lo ministro. Com o afastamento da presidente, Lula resolveu se recolher. Hoje, não responde mais a questionamentos e busca se distanciar da sucessora que pode perder o cargo.
 
Percebendo que vinha desgastando a própria imagem ao se manter no centro das atenções, o ex-presidente, que já havia colocado como meta retornar ao Palácio do Planalto nas eleições de 2018, acha que precisa “desaparecer”, evitando inclusive qualquer crítica ou sugestão ao governo do presidente interino Michel Temer (PMDB). Mesmo sabendo que será alvo preferencial dos adversários numa eventual campanha eleitoral, Lula ainda acredita no seu próprio carisma e no poder de mobilização da militância petista. Para ele, os programas sociais que alavancou — Bolsa Família, PAC e Minha Casa, Minha Vida —, capazes de dar dois mandatos a Dilma nas regiões mais pobres do País, principalmente no Norte e Nordeste, vão repetir o desempenho. Ele conta ainda com a morosidade da Justiça brasileira, pois, em caso de uma eventual prisão, mesmo que temporária, o estrago seria irreversível.
 
Por isso, o silêncio e o afastamento gradual de Dilma Rousseff. O ex-presidente aparentemente crê que a sua sucessora seria inapelavelmente derrotada por Aécio Neves (PSDB) ou qualquer outro candidato caso as eleições ocorressem agora. Lula luta hoje para preservar a sua (arranhada) história e o Partido dos Trabalhadores, atualmente apontado pela maioria (inclusive pela Justiça) como uma organização criminosa que usou da rapinagem para atacar os cofres públicos. No atual momento, dificilmente Lula encontrará alguém capaz de transformar suas pretensões em um produto de marketing capaz de jogá-lo novamente nos braços do povo para a sua recondução à presidência da República. Hoje, dificilmente Lula fala ao telefone e recebe poucos petistas (apenas os mais chegados e acima de qualquer suspeita) para evitar a repetição dos fatos que o colocaram na berlinda, impediram sua posse como ministro e precipitaram o afastamento de Dilma Rousseff. Mas o ex-presidente acredita na curta de memória do eleitor brasileiro para que possa se eleger pela terceira vez à presidência da República.
 
 
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