Sem a intenção de largar o osso


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O deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é considerado um espécime daquele tipo de raposa política que, além de conhecer profundamente o funcionamento do Congresso Nacional, sabe tirar proveito dos cargos que ocupa. Refinado, gosta de hotéis caros e restaurantes estrelados da Europa, predileção compartilhada com a esposa Cláudia Cruz e a filha. O dinheiro amealhado em cobrança de propinas de empreiteiras, todo desviado de estatais, irrigava contas na Suíça de onde saíam os proventos que sustentaram uma vida faustosa e rotina de ostentação da família do peemedebista em viagens a Paris, Roma, Madri, Dubai e Miami. As informações são de relatório da PGR (Procuradoria Geral da República). Mesmo diante de provas cabais, inclusive documentos oficiais, Eduardo Cunha nega ter sido beneficiado e conseguiu, ajudado por aliados, arrastar por meses a fio o processo de cassação aberto na Comissão de Ética da Câmara.
 
Ontem, Cunha renunciou ao posto de presidente da Casa e deixou claro, com o passo seguinte, que não tem qualquer intenção em largar o osso. A renúncia é uma nova jogada de alguém que conhece a fundo o regimento interno da Câmara, inclusive os atalhos que usa em benefício próprio sempre que surge uma oportunidade. A intenção do parlamentar fluminense é tentar manter o mandato de deputado. Assim, não seria cassado e nem perderia os direitos políticos por oito anos, o que lhe permitiria continuar influindo nas decisões do Congresso Nacional e do governo federal, diante da influência conseguida em mais de 12 anos como parlamentar.
 
Ontem, Eduardo Cunha protocolou na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara requerimento que pede a revisão do seu processo de cassação. Cunha alega que foi julgado no Conselho de Ética como presidente da Câmara, cargo ao qual renunciou. Para ele, o fato de ocupar a Presidência influenciou a decisão do colegiado. Caberia ao presidente da CCJ, Osmar Serraglio (PMDB-PR), próximo a Cunha, acatar seus argumentos e devolver monocraticamente o caso ao Conselho de Ética. Essa estratégia faria parte de um acordão para livrar Cunha da cassação. A primeira etapa do plano foi a própria renúncia. No recurso, ele defende que sua abdicação à Presidência altera ‘profundamente’ a decisão do Conselho de Ética, que foi favorável à cassação do seu mandato. Como se pode ver, o deputado federal ainda vai continuar incomodando e pode até se livrar da cassação. Resta apenas esperar a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que investiga Cunha e deve dar-lhe uma sentença que os seus pares podem acabar evitando proferir.
 
 
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