Nas últimas semanas os francanos têm se deparado com os constantes reajustes nos preços de leite e derivados nos estabelecimentos da cidade. O aumento, que chegou a 26,86% em junho, de acordo com pesquisa divulgada pelo Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais), do Centro Universitário Uni-Facef, tem crescido dia a dia e, segundo produtores e comerciantes, deve continuar nos próximos meses.
A queda na produção, provocada pelo alto custo, além do período de seca, são apontados como os principais motivos para o aumento nos preços dos laticínios, que transformaram o leite no novo vilão das mesas dos francanos.
“O preço do leite e seus derivados tem crescido toda semana e não tem mais como segurar, por isso, repassamos para os consumidores. Falta o produto, já que hoje bem menos pessoas estão produzindo, pois o custo da produção cresceu absurdamente. Além disso, entramos no período de seca, o que contribui ainda mais”, disse Samuel Parula Martins, comprador de da rede de varejões Irmãos Patrocínio.
“O pior é que não enxergo uma melhora para os próximos meses e, com o setor instável, novos reajustes devem acontecer em breve”, completou.
Nesta semana, o litro do leite nas prateleiras dos supermercados varia entre R$ 3,99 e R$ 4,49. Em alguns casos, o preço chega até a R$ 5,50.
Produtor de gados e proprietário do varejão Irmãos Bonacci, Divino Josafá Alves Borges não enxerga queda nos preços até outubro, quando deve voltar a chover. “Nessa segunda-feira, o preço do leite estava R$ 3,90 e, no dia seguinte, passou para R$ 4,15. Isso mostra como está a situação e não tem previsão de paralisação na alta. Com o frio o consumo aumenta e, infelizmente, não temos como deixar de repassar esses reajustes para os consumidores.”
Ainda segundo Borges, o custo da produção de gado, como o aumento do milho, soja e rações, desestimula o produtor e, com isso, caiu a oferta da matéria-prima.
“A cada dia aumenta mais o consumo e a tendência é que o preço continue a subir. Com o alto custo da produção, os produtores optam por vender o leite para a produção de, por exemplo, muçarela que acaba tendo um lucro maior, e isso provoca a falta da matéria-prima e, consequentemente, o preço cresce.”
Derivados
Não é só o preço do leite que tem assustado os consumidores. Nas últimas semanas, produtos como manteiga, iogurtes, queijos e muçarela também sofreram reajustes que, em alguns casos, ultrapassam os 35%.
Um levantamento informal realizado pela reportagem do Comércio da Franca apontou que, no caso da muçarela, o preço do quilo nos estabelecimentos da cidade tem variado entre R$ 33 e R$ 37. Há um mês, de acordo com os comerciantes consultados, os valores não ultrapassavam os R$ 27.
“Apesar dos produtores atualmente optarem mais pela venda para a fabricação de muçarela, já que o ganho é maior, o consumo nesse período aumenta, o que pode contribuir para o reajuste nos preços”, disse Borges.
Reflexos
Com o aumento, os consumidores começaram a buscar alternativas para continuar a consumir o leite e seus derivados.
Mãe de três crianças, a secretária Pâmela Oliveira, de 32 anos, moradora da Vila Santa Cruz, se viu obrigada a diminuir o consumo. “Se antes minha família consumia sete litros por semana, hoje sou obrigada a usar cinco. Infelizmente, nesses tempos difíceis, essa foi a única opção”, disse ela.
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